
Por Ana Carolina Alves, Carlos Silva, Darcianne Diogo, Iago Mac Cord, Luiz Fellipe Alves, Luiza Altoé, Maria Eduarda Lavocat, Mila Ferreira, Pedro José Borges, Raphael Patti e Vitória Torres
No terceiro bloco do Debate do Correio, no qual os candidatos fizeram perguntas entre si, as discussões focaram principalmente temas como o atendimento na rede de saúde do GDF, a qualidade da educação pública e a valorização dos profissionais da educação, e a necessidade de ampliar e melhor o transporte público, entre outros.
Paula Belmonte (PSDB) questionou Leandro Grass (PT) sobre as propostas para a educação e criticou o que chamou de falta de ações concretas do governo.
Grass respondeu destacando sua experiência na educação pública e afirmou que a principal proposta dele para a área é ampliar o modelo de escola em tempo integral. Ele avaliou que a medida pode transformar as unidades de ensino em espaços de oportunidades para os estudantes.
"É bom falar de proposta porque, de mentira, a população já está cansada com as propagandas deste governo. Como professor, ao longo da minha vida, tendo trabalhado na educação pública e na educação de jovens e adultos, passei todos esses anos acompanhando essa realidade. Como deputado distrital também, passei por mais de 350 escolas", disse.
Grass disse conhecer as dificuldades enfrentadas por diferentes profissionais da rede pública e pelas famílias dos estudantes. "A dor do professor, do secretário escolar, da merendeira, do vigilante, do estudante e da família. O primeiro problema é a falta de oportunidades a partir da escola. Meu projeto principal para a educação é a escola em tempo integral. Podemos transformar a escola em um lugar de oportunidades", declarou.
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O candidato também defendeu a valorização dos profissionais da educação e criticou a atual gestão do DF. "Celina está enrolando os professores. Eu vou nomear e recompor a Secretaria", disse.
Na sequência, Paula Belmonte falou da necessidade de ampliar o atendimento educacional desde os primeiros anos de vida. A candidata afirmou que mais de 20 mil crianças aguardam por uma vaga em creche no DF. "Nós temos que ter uma educação de qualidade desde o nascimento da nossa criança", observou.
Paula também citou a própria trajetória na rede pública de ensino e defendeu políticas que deem segurança às famílias, especialmente às mães atípicas. "Acredito na escola de qualidade e que as mães atípicas se sintam seguras para colocar o filho na escola. Nós precisamos ter escola integral, de qualidade, trazendo tecnologia, empreendedorismo e educação financeira para os nossos alunos".
José Roberto Arruda (PSD) e Kiko Caputo (Novo) discutiram a situação do transporte público e a mobilidade urbana do DF.
Arruda começou a rodada com a pergunta e criticou os últimos governos pela não ampliação do metrô. "Quando eu deixei o governo, nós projetamos quatro linhas de metrô e nenhuma foi feita nesses 16 anos. Esse governo fez viadutos. Qual a sua solução para o transporte?", questionou o candidato.
Kiko disse que pretende ampliar o metrô e fazer quatro novas Estradas Parque. "Queremos levar o metrô até o final da Samambaia e até o Sol Nascente. Queremos fazer Estradas Parque em Brazlândia, Planaltina, Águas Claras e a Estrada Parque do Encanto, que vai sair do Recanto (das Emas), passar pelo Riacho (Fundo) e chegar ao Plano Piloto", destacou. "Além disso, queremos trazer o trem de Luziânia até a rodoferroviária. Tudo isso vai facilitar a mobilidade urbana", completou.
Ônibus
O candidato do Novo afirmou que é preciso fazer uma fiscalização nas empresas "para ver se eles estão colocando os ônibus na frequência que eles estão sendo pagos pelo governo".
Arruda relembrou que, em seu governo, a tarifa de ônibus era de R$ 3 e o GDF não pagava subsídio para as empresas de ônibus. "Hoje a tarifa é R$ 5 reais. Sabe quanto o governo Ibaneis Celina paga pros empresários dos ônibus, inclusive com os quais tem sociedade pra comprar vaca milionárias, R$ 2 bilhões", criticou. "Com R$ 2 bilhões por ano que eles dão de presente pros empresários de ônibus, dá pra fazer 20 km de metrô; em quatro anos, 80 km de metrô; e o transporte sobre trilhos é a única solução para Brasília voltar a ter uma mobilidade urbana", ressaltou.
O candidato do Novo, Kiko Caputo, aproveitou sua fala para destacar que a terceira faixa construída na BR-020 é uma obra do governo federal. "A gente ouviu agora a pouco da candidata que está no governo que ela está construindo a terceira faixa. Aquilo é uma rodovia federal. Quem está fazendo a obra, assim como a de Brazlândia, é o governo federal, pelo PAC, não tem nada a ver com o DF", afirmou.
Na sequência do debate, Leandro Grass (PT) escolheu Ricardo Cappelli para fazer uma pergunta e o tema foi a Residência Oficial de Águas Claras. Grass classificou o terreno, que, segundo ele, tem aproximadamente 250 mil metros quadrados, como um "latifúndio" e enfatizou que a área permanece desocupada há anos. "É uma área que poderia ter uma função social. O que eu penso para lá é um equipamento público. Eu penso em uma escola-parque, já que Águas Claras não tem nenhuma. O que você pensa para aquele local?", questionou.
Cappelli aproveitou o espaço de fala para tratar de outro assunto. Ele criticou a gestão da educação no Distrito Federal e defender um "choque de gestão". O candidato salientou que o DF precisa investir na valorização dos profissionais da educação e ampliar o número de concursos públicos.
"Nós temos que dar um choque de gestão aqui no Distrito Federal, principalmente na educação. Nós estamos hoje no último lugar na qualidade do ensino médio no Brasil", pontuou.
Cappelli prometeu ainda garantir aos professores do DF o "maior salário do Brasil".
Em seguida, Grass voltou à questão os imóveis e disse que pretende dar uma destinação social a imóveis e equipamentos públicos do Distrito Federal que estejam sem utilização. "Nós passamos os últimos quatro anos em nível federal pegando os imóveis que eram do governo e colocando a serviço da sociedade. No meu governo, eu vou pegar os equipamentos públicos do GDF que estão obsoletos e colocar na mão da sociedade. Vou transformar em equipamento público", afirmou.
O candidato também citou a necessidade de ampliar a estrutura de atendimento a famílias com crianças atípicas, observando que muitas enfrentam dificuldades para conseguir diagnóstico e atendimento especializado."A gente vai ter equipamento público para cuidar da sociedade e não para ficar parado, gastando dinheiro público."
Cappelli concordou que a falta de profissionais especializados é um problema e prometeu realizar concurso para monitores, lembrando que o último concurso para a função completa 10 anos. Ele também criticou o modelo de educador social voluntário adotado atualmente, argumentando que os profissionais não teriam formação adequada para acompanhar estudantes com deficiência e receberiam cerca de R$ 80 por dia.
Modelo para saúde
A crise da saúde pública no Distrito Federal pautou o questionamento de Kiko Caputo (Novo) para Paula Belmonte (PSDB) durante o debate. Caputo afirmou que essa área dispõe de orçamento superior a R$ 13 bilhões por ano, mas que os recursos não se refletem na qualidade do atendimento. O candidato mencionou casos de pacientes que teriam morrido sem assistência e classificou o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) como "um grande cabide de empregos" e "um antro de corrupção".
Paula respondeu que, como presidente da Comissão de Fiscalização, Governança, Transparência e Controle da Câmara Legislativa, convocou gestores do Iges-DF e da Secretaria de Saúde para prestar esclarecimentos sobre as contas do setor. Segundo a candidata, existem contratos emergenciais e pagamentos por indenização mantidos há mais de cinco anos. "Eu não tenho rabo preso com ninguém. Eu tenho rabo preso é com Deus, com a minha família e com a minha honra", declarou. Ela prometeu enfrentar o que chamou de máfias da saúde, das cirurgias e das próteses, além de reforçar a moralidade e a gestão pública.
Caputo propôs ampliar o funcionamento das unidades básicas de saúde (UBSs) até as 22h e aos fins de semana, construir quatro hospitais e criar pelo menos 200 equipes de Saúde da Família. Paula concordou com a necessidade de contratar médicos e enfermeiros, mas afirmou que as equipes das UBSs estão incompletas. A candidata também defendeu a digitalização do sistema para organizar as filas e permitir que os pacientes sejam atendidos mais perto de casa. "Precisamos trazer dignidade para as pessoas, e é isso que nós vamos fazer", afirmou.

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