
As propostas apresentadas, as respostas às perguntas e a abordagem de temas sensíveis marcaram a sabatina dos candidatos ao Governo do Distrito Federal promovida pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília, nesta quarta-feira (14/10), com apoio da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) e conduzida pelas jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos.
Cientistas políticos ouvidos pelo jornal analisaram os argumentos apresentados por Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT), com atenção aos compromissos assumidos pelos candidatos, à viabilidade das medidas anunciadas e às questões que ganharam destaque durante as entrevistas.
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Na avaliação de Leandro Gabiati, cientista político e professor do Ibmec Brasília, Celina Leão "teve o desafio de se equilibrar entre defender os resultados da administração anterior, da qual fez parte, e, ao mesmo tempo, apresentar mudanças para enfrentar problemas que persistem". Segundo ele, a habilidade nesse equilíbrio se manifestou na sabatina.
O especialista destaca que a experiência de Celina na administração pública representou um ponto forte para ela. "Ela tem uma vantagem objetiva, que é estar no governo atual e conhecer diretamente a agenda política do DF, a estrutura administrativa, projetos em andamento e as limitações orçamentárias", afirmou.
Visão pragmática
O ponto alto da participação de Grass foi a segurança pública, na avaliação do cientista político André César, analista da Hold Consultoria. "O candidato foi bem assertivo, em especial quando tratou da maioridade penal e de crimes cometidos por jovens. Ele fala, inclusive, da participação do governo local na avaliação do tema. A questão da segurança pública é algo que pega forte na opinião do eleitor", avaliou.
César considerou que Grass conseguiu apresentar um panorama dos principais problemas do DF. Na avaliação do cientista político, o petista demonstrou conhecer os desafios da administração pública sem recorrer a propostas irreais. "Ele conseguiu fazer isso e, ao mesmo tempo, dar a entender que tem propostas, mas que os problemas não são fáceis de resolver. Ele tem noção de que é preciso unir diversos setores em torno das soluções, mas sem promessas impossíveis de serem cumpridas", afirmou.
Teste de preparo
O cientista político Rócio Barreto, especialista em marketing político e eleitoral, avaliou que a sabatina do Correio permitiu observar como os concorrentes respondem a questionamentos sobre os problemas da capital e demonstram capacidade para administrar a máquina pública. "A sabatina é um teste de preparo político, domínio técnico, controle emocional, controle pessoal. É uma prova de mostrar a capacidade deles de poder gerir uma grande cidade com um orçamento grande", afirmou.
Segundo Barreto, a avaliação dos candidatos não deve se limitar à apresentação de propostas ou à identificação de problemas. É necessário verificar se as medidas anunciadas têm condições de sair do papel, considerando os recursos disponíveis, o planejamento e a articulação entre instituições. "Não é somente falar que vai fazer sem ter condições de fazer. Tem que ter substância e produtos suficientes para que seja feito, principalmente a parte financeira", destacou.
O cientista político ressaltou a importância de os candidatos apresentarem informações que possam ser verificadas e explicarem os limites de sua atuação. Na avaliação dele, questionamentos sobre a administração pública exigem respostas que vão além de declarações genéricas. "Não adianta somente dar a informação sem que essas informações possam ser verificadas", observou.
Para Barreto, a consistência das propostas depende de planejamento, financiamento e articulação institucional. Ele cita áreas como saúde, mobilidade urbana e políticas sociais, nas quais os compromissos eleitorais exigem definição de prioridades e clareza sobre as condições de execução. "O candidato que aponta falhas tem que demonstrar como pretende corrigir, quais instrumentos administrativos vai usar e como pode evitar que suas propostas permaneçam apenas no plano do discurso", avaliou.
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