
Às 20h02 de ontem, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atingiu 90,01% das urnas apuradas, a confirmação matemática selou a reeleição de Celina Leão (PP) à frente do Governo do Distrito Federal com 57,22% dos votos válidos, derrotando Leandro Grass (PT), que ficou com 42,78%. O desfecho vitorioso consagrou uma jornada que havia começado horas antes, no Centro de Ensino Fundamental 01 do Lago Norte, onde a governadora compareceu por volta das 10h para votar, tomada por otimismo e acompanhada por aliadas de primeira hora.
Ao lado das senadoras recém-eleitas Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), Celina fez um balanço das semanas de corrida eleitoral logo após deixar a cabine de votação. "Lutamos um bom combate. Foi uma campanha limpa. Fizemos o que tínhamos que fazer, percorremos todas as cidades. Pegamos o Distrito Federal com muitos problemas, mas demos o nosso melhor. Estamos confiantes não só pelo DF, mas também pelo Brasil", declarou.
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Questionada sobre a ausência nos debates do segundo turno, a governadora justificou a posição apontando episódios do início da disputa: "Há quatro mandatos eu falo para as mulheres não estarem em lugares em que elas não são respeitadas. Se querem minha presença, têm que me respeitar".
A passagem pela seção eleitoral no Lago Norte registrou um breve momento de tensão na área externa. A presença de Celina motivou simpatizantes a entoarem gritos como "Fora PT", exigindo a intervenção dos fiscais da zona eleitoral, que alertaram sobre a proibição de manifestações coletivas no local.
"Isso é a Lei Eleitoral e vale para os dois lados. O eleitor, após o momento da votação, precisa sair do local", advertiu o fiscal Alexandre Julião. Os apoiadores rebateram, alegando que respondiam a provocações do turno anterior, e argumentaram que não faziam pedido explícito de votos.
Superado o momento, a governadora seguiu para o Colégio Mackenzie Brasília, no Lago Sul, onde acompanhou a votação de Michelle Bolsonaro. No início da tarde, reservou um tempo para o convívio familiar antes de se dirigir ao comitê central de campanha, no Setor de Indústrias Abastecimento (SIA).
Foi ao lado do vice-governador eleito, Gustavo Rocha (Republicanos), de familiares e de lideranças da coligação que Celina acompanhou a contagem oficial até a consolidação do resultado, ampliando a vantagem que havia demonstrado no primeiro turno, quando liderou com 49,93% contra 34,47% do oponente.
Com a vitória, Celina se consolida como a segunda mulher a assumir o comando definitivo do Palácio do Buriti nos 66 anos de história de Brasília — marco alcançado anteriormente apenas por Maria de Lourdes Abadia (PSDB), em 2006.
Trajetória
Celina Leão Hizim Ferreira, 49 anos, é natural de Goiânia, mas construiu toda a vida pessoal, acadêmica e política no DF. Formada em administração de empresas, é casada com o empresário Fabrício Faleiro Ferreira, mãe de Bruna e Pedro, e declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 440,1 mil.
Com 16 anos de atuação na vida pública, Celina ingressou na política local até conquistar o primeiro mandato como deputada distrital em 2010. Reeleita para a Câmara Legislativa do DF (CLDF), presidiu a Casa no biênio 2015-2016.
Em 2018, avançou para o cenário nacional ao se eleger deputada federal pelo DF, destacando-se na coordenação da bancada feminina do Congresso Nacional e na articulação de pautas voltadas à proteção das mulheres e ao esporte.
Em 2022, elegeu-se vice-governadora na chapa encabeçada por Ibaneis Rocha (MDB). Em março de 2026, com a desincompatibilização do titular para disputar o Senado, assumiu definitivamente a chefia do Executivo local. Para este pleito, articulou uma ampla coligação de centro-direita liderada pelo Progressistas (PP) e integrada por legendas como Republicanos, PL, MDB e PSD.
Para o quadriênio 2027-2030, a governadora reeleita coloca como prioridades sociais e estruturais a ampliação da malha metroviária com 78 km na linha 2, a construção de cinco novos hospitais e sete UPAs, além da expansão do ensino em tempo integral. A agenda contempla ainda a ampliação de vagas em creches nas regiões mais vulneráveis, o fortalecimento de programas voltados à autonomia e proteção das mulheres e o reforço da segurança pública com o uso de inteligência, tecnologia e integração com a assistência social.
No campo econômico e administrativo, o plano foca na geração de empregos, na simplificação tributária e no incentivo ao setor produtivo local, recorrendo a Parcerias Público-Privadas (PPPs) para destravar obras de infraestrutura. Para assegurar a viabilidade desses projetos com eficiência e inclusão social, Celina aposta em uma articulação constante com a bancada federal no Congresso Nacional, visando à garantia de repasses orçamentários e à preservação do Fundo Constitucional.
O vice
Gustavo do Vale Rocha, 53 anos, é advogado, professor e mestre em direito pelo UniCEUB. Morador de Brasília desde 1975, trabalhou no Banco do Brasil, entre 1987 e 1998, e lecionou na área jurídica a partir de 1999. Na gestão pública, foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República e ministro dos Direitos Humanos em 2018. No DF, comandou a Secretaria de Justiça e Cidadania e a Casa Civil do GDF a partir de junho de 2020. Filiado ao Republicanos desde 2025, elegeu-se vice-governador do DF na chapa de Celina Leão.
Cidades DF
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