
Com um sorriso fácil e uma bagagem sólida que vai do teatro baiano aos estúdios da TV Globo, a atriz Cristiane Amorim encontra-se atualmente imersa no universo da novela Êta mundo melhor. Nascida em Amargosa, interior da Bahia, ela dá vida à enigmática Carmen, uma vidente que é, nas palavras da própria atriz, "um pouco picareta, pilantra", mas carregada de mistérios.
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A personagem, que lê mãos e troca favores em um ponto de São Paulo, tem sido um dos grandes desafios atuais da carreira de Cristiane. "Sim, está sendo um desafio maior", confessa a atriz. "Ela já é uma personagem muito misteriosa. No início, eu fiz uma preparação para fazer uma cigana, depois entendi que era uma vidente que se disfarçava de cigana. A construção foi se dando durante as gravações, foi uma personagem criada a partir das cenas que iam chegando."
A ambiguidade de Carmen é o que torna o trabalho tão complexo e, ao mesmo tempo, gratificante. Cristiane explica que, ao contrário do que possa parecer, a personagem tem, de fato, um dom. "E eu acho que é uma questão de lábia. Eu acho que muitas vezes ela acerta porque ela tem esses poderes, realmente, de acessar outros tempos, passado, presente, futuro, o passado e o futuro, ela tem esse acesso. Ela trapaceia muito mais por uma questão de sobrevivência, por ser uma mulher solitária que vive nas ruas", analisa.
Para Cristiane Amorim, cada personagem é uma nova partida de xadrez. "Para mim, é brincar de xadrez, mas com muito humor e muita diversão."
Abraçada pelo humor
A trajetória de Cristiane Amorim começou longe das câmeras, em 1992, ao ingressar na Escola de Teatro da UFBA. Ela mergulhou na efervescência cultural dos anos 90 em Salvador, participando de 18 espetáculos teatrais premiados e campanhas publicitárias, antes de buscar novos ares no Rio de Janeiro.
Foi na Cidade Maravilhosa que seu talento para a comédia começou a brilhar. Participações em programas de humor da TV Globo, como Sob nova direção, Faça sua história, S.O.S. Emergência e A grande família, tornaram sua face familiar ao grande público. Séries como As cariocas, As brasileiras, Ó paí ó e Sob pressão consolidaram sua versatilidade. No cinema, integrou o elenco de comédias como Trair e coçar é só começar, Os penetras e Se eu fosse você, além de participar de Nosso Lar.
Sua estreia nas novelas foi marcante, no fenômeno Cordel encantado. Mas foi em 2013, como a inesquecível Zefinha em Joia rara — novela vencedora do Emmy Internacional —, que ela se destacou definitivamente no núcleo cômico das tramas. Outro marco foi a hilária Santinha, em Órfãos da terra, outra produção premiada com o Emmy.
Sobre a diferença entre gravar uma novela de época e uma atual, Cristiane vê desafios equivalentes, mas com uma particularidade. "Talvez o desafio maior seja no improviso. Na novela atual, é mais fácil improvisar com a sua própria vivência. Já na de época, você precisa raciocinar no tempo do personagem, o que exige um pouco mais."
De olho no futuro
Questionada sobre qual remake gostaria de integrar, a atriz, que se define como "noveleira", não esconde o entusiasmo. "Eu aceito qualquer remake, qualquer personagem", brinca, antes de citar seus desejos: Perpétua em Tieta, Maria do Carmo em Senhora do destino ou Viúva Porcina em Roque Santeiro. No entanto, um sonho antigo se sobressai: "Um grande sonho seria um remake de Sai de baixo, e aí eu seria a empregada".
Com a reta final de Êta mundo melhor se aproximando, a atriz já vislumbra o futuro. "Na tevê, ainda não tenho projetos, estou aberta a convites", diz, revelando que está se aventurando pela escrita, ainda como um projeto pessoal. O público poderá vê-la em breve em trabalhos inéditos: o longa de animação Ed, o ET que dá samba e a série de humor Reino da Bahia, ambos gravados em Salvador e com lançamento previsto para os próximos meses.
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