Crítica

Confira crítica do filme Transamazônia

Quarto longa da diretora sul-africana Pia Marais entrelaça discussões de fé e preocupação ambiental

A fé caminha com ações práticas, na trama de Transamazônia -  (crédito:  Divulgação/ Filmes do Estação)
A fé caminha com ações práticas, na trama de Transamazônia - (crédito: Divulgação/ Filmes do Estação)

Crítica// Transamazônia ★★★

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Há um momento no quarto longa da diretora Pia Marais em que o roteiro toma parte da Bíblia para cercar o embrião de discussões —, em estágios, primeiro, desavenças seriam algo a "gotejar", mas "depois, inundaria". Com veia algo pacifista, o roteiro da diretora para o longa rodado na Amazônia é embebido em muito volume de pólvora. Para além do choque entre indígenas e brancos, há vetores que tratam da colaboração entre ambas as etnias, acessos nítidos de vingança entre os vários personagens e, acima de tudo, volumes expressivos de fé, na trama que conta com fundo catequizador.

Uma cena, em especial, impressiona em termos de cisão: um rasgo marrom avermelhado, que corta a floresta ao meio, aparta o chamado desenvolvimento dos aspectos naturais e exuberantes da paisagem. Diante da beleza do cenário, fica difícil elogiar a direção de fotografia de Mathieu De Montgrand, uma vez que tudo na tela, naturalmente, reluz.

A jovem alemã Helena Zengel representa, com reais ares de mistério, a protagonista Rebecca que sobrevive a um acidente aéreo, nesta trama comanda por Pia Marais, uma artista nascida na África do Sul e criada na Suécia. Apelidada de Miss Aspirina, ela investe numa existência em que espalha fé junto com o pai Lawrewnce Byrne (Jeremy Xido), à frente de ritos aos moldes dos evangélicos. A relação entre Rebecca e Byrne é pontuada por uma extrema cumplicidade, num cenário que será afetado pelo renascimento de tensas memórias.

O longa, que foi selecionado para o Festival de Locarno, cria tensões para a fictícia etnia dos Iruaté — que se veem envolvidos em atritos com madeireiros locais fator que impulsiona o bloqueio de uma estrada. O filme, que, entre outras qualidades, conta com a direção de arte de Petra Barchi (discreta e eficiente), alcança equilíbrio delicado ao empilhar confrontos entre fé e ciência (representada, por exemplo, na personagem de Denise, papel de Sabine Timoteo). A fé usada como elemento de barganha fica ainda mais evidente, a partir da entrada em cena dos personagens de Rômulo Braga e Philipp Lavra (saído do micropapel do fotógrafo de Ainda estou aqui), respectivamente, os irmãos Artur e Junior que dão passos importantes nos conflitos.

 

 


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postado em 08/01/2026 17:26 / atualizado em 08/01/2026 17:27
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