CINEMA

Erotismo divide a mídia internacional em "O Morro dos Ventos Uivantes"

Veículos como 'Variety', 'Collider' e criadores de conteúdo destacaram a carga erótica, a intensidade emocional e a estética exuberante da adaptação de Emerald Fennell

Reações da imprensa internacional colocam o filme entre os mais debatidos antes da estreia -  (crédito: Divulgação )
Reações da imprensa internacional colocam o filme entre os mais debatidos antes da estreia - (crédito: Divulgação )

Antes mesmo da estreia oficial, a nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes já se tornou um dos filmes mais comentados do momento. Exibido em pré-estreias internacionais, o longa dirigido por Emerald Fennell despertou reações intensas ao apresentar uma leitura marcada por erotismo, desejo e tensão sexual explícita — um caminho que divide opiniões, mas tem chamado atenção pela ousadia.

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Entre os primeiros elogios, Jazz Tangcay, da Variety, descreveu o filme como uma experiência emocional extrema, destacando a química entre Margot Robbie e Jacob Elordi: “É uma história escaldante e perturbadora. A química e a tensão sexual entre Margot Robbie e Jacob Elordi estão em outro nível de sexy. Só Emerald Fennell conseguiria pegar um clássico, subvertê-lo, fazer você se apaixonar perdidamente e, em seguida, destruir completamente sua alma. Um espetáculo primoroso de maestria que me deixou babando pelos figurinos, pela fotografia e pelo design de produção. Completamente apaixonada.”

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A força visual da produção também foi ressaltada por Meredith Loftus, do Collider, que apontou o cuidado estético e a trilha sonora como elementos centrais da narrativa: “Apaixone-se repetidamente pela visão de Emerald Fennell de O Morro dos Ventos Uivantes. Do design de cenário e figurinos deslumbrantes à cinematografia impressionante e à música bombástica de Charli XCX, o filme mergulha na paixão e obsessão da tórrida história de amor de Catherine e Heathcliff.”

Na mesma linha, Maude Garrett classificou o longa como uma experiência sensorial completa, que ultrapassa o apelo visual e se ancora no desejo: “É a perfeição absoluta. Não é apenas visualmente impecável, com cores vibrantes e cenas de tirar o fôlego, mas este filme é a personificação do desejo. Ele fará você sentir absolutamente tudo durante e depois de assisti-lo. Eu amei tudo neste filme.”

A trama se passa em Yorkshire e gira em torno do entrelaçamento das vidas das famílias Earnshaw e Linton. A história é apresentada a partir do olhar do Sr. Lockwood, inquilino da propriedade Thrushcross Grange, que conhece os acontecimentos de Wuthering Heights por meio dos relatos de Nelly Dean. No centro do enredo está o vínculo destrutivo entre Heathcliff, um órfão acolhido pelo Sr. Earnshaw, e Catherine Earnshaw, filha do patriarca.

Apesar do entusiasmo da parte da crítica, a nova versão também enfrenta resistência. A divulgação do primeiro teaser pela Warner Bros. provocou reações negativas nas redes sociais. Fãs do romance original criticaram o tom do material promocional, que aposta em cenas sedutoras e erotizadas — algo ausente no livro publicado em 1847.

No texto de Emily Brontë, o relacionamento entre Catherine e Heathcliff é descrito como intenso, violento e profundamente abusivo, marcado pela obsessão e pela tragédia, e não pelo erotismo sensual sugerido no vídeo. As controvérsias, porém, antecedem o teaser. Desde o anúncio do elenco, a escolha de Jacob Elordi para viver Heathcliff vem sendo questionada, já que o personagem é descrito como um órfão de origem cigana, alvo constante de preconceito e exclusão social.

Ao longo da história do cinema e da televisão, o personagem Heathcliff foi interpretado majoritariamente por atores brancos, como Laurence Olivier, Ralph Fiennes, Timothy Dalton e Tom Hardy. A única exceção ocorreu em 2011, quando James Howson assumiu o papel em uma adaptação protagonizada por Kaya Scodelario.

Outro ponto de crítica envolve a caracterização de Margot Robbie como Catherine Earnshaw. Loira e glamourosa, a atriz se distancia da descrição original da personagem no romance, que não é loira, o que reacendeu debates sobre fidelidade estética e simbólica à obra.

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postado em 29/01/2026 16:18 / atualizado em 29/01/2026 16:41
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