
A saga de zumbis da Capcom está de volta no nono capítulo da franquia. Resident Evil Requiem usa elementos de Biohazard e Village para construir uma história marcante que traz o protagonista mais famoso da série no Brasil de volta com tudo! Este projeto é o casamento equilibrado da ação desenfreada e do terror absoluto que a gigante japonesa sempre quis estabelecer.
Herói de Ação e “Donzela em Perigo”
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Requiem revive um conceito antigo da franquia, com dois protagonistas vivendo histórias separadas que se conectam ocasionalmente. Dessa vez, somos apresentados a Grace Ashcroft, filha de uma das personagens de Resident Evil: Outbreak, Alyssa Ashcroft.
Grace é uma agente do FBI incumbida de uma missão de campo: investigar misteriosos assassinatos que vêm ocorrendo por toda a cidade, tendo como alvo sobreviventes de Raccoon City. Contudo, a investigação a leva ao rastro de um cientista da equipe responsável pelo desenvolvimento do Vírus-T, Victor Gideon, que tem planos para a jovem e acaba sequestrando-a.
Enquanto isso, o segundo protagonista, o velho e amado pelos fãs Leon S. Kennedy, também se envolve no mistério da morte desses sobreviventes. Ele próprio é acometido por uma infecção terrível e passa a buscar respostas para conter seu avanço. Ao saber que mais um corpo foi encontrado, o superagente se dirige ao local e presencia o sequestro de Grace. Assim que entra em ação, Gideon infecta pessoas na rua para atrasá-lo.
Sem muitas respostas, o agente segue no encalço do cientista louco enquanto tenta localizar Grace. A agente do FBI acorda em uma instalação hospitalar cercada por monstros e precisa sobreviver aos encontros com as criaturas, agora ainda mais assustadoras, que exigem do jogador maior domínio da furtividade em vez do confronto direto por meio de tiroteios.
A divisão entre os personagens é sólida e clara, refletindo-se tanto na estrutura quanto na forma como a jogabilidade em cada cenário foi construída para cada um deles — mesmo quando, por vezes, passam por locais onde o outro já esteve, em uma abordagem que remete aos clássicos.
As diferenças também aparecem na movimentação: Grace, por não ser uma agente de campo, demonstra menos habilidade no manejo de armas. Já Leon, como agente treinado, é mais tático, tanto na forma de recarregar quanto na maneira como se movimenta com as armas. Esse estilo não é um simples “Ctrl C + Ctrl V” da movimentação de RE4, mas sim uma nova e completa versão do personagem.
Esse formato lembra fortemente o tratamento e o cuidado da Naughty Dog com a série The Last of Us, evidenciando detalhes sutis e, ao mesmo tempo, marcantes sobre personagens distintos.
Além da movimentação, Grace e Leon possuem arsenais bastante distintos. A agente do FBI se restringe a uma pistola e à arma promocional do jogo, a Requiem; fora isso, precisa lidar com os zumbis usando facas improvisadas e a boa e velha corrida desesperada.
Leon, por outro lado, assume o papel de herói de ação, com um arsenal vasto: pistolas, rifles, submetralhadoras e escopetas — tudo para manter a adrenalina em alta durante seus trechos. A machadinha de Leon também foi uma adição pontual para substituir a faca de Resident Evil 4, mas agora conta com durabilidade praticamente infinita, perdendo o fio apenas em alguns momentos, podendo ser rapidamente afiada.
Esses pequenos pontos evidenciam as diferentes abordagens dentro de um mesmo jogo: uma que acena para a ação de Resident Evil 4, Resident Evil 5 e Resident Evil 6; e outra que remete ao terror e à fragilidade do remake de Resident Evil 2 e dos títulos Resident Evil Village e Resident Evil 7: Biohazard.
Uma das formas que a Capcom encontrou para evidenciar essa dualidade foi a maneira como a jogabilidade é predefinida, introduzindo em Requiem uma nova mecânica: a opção de alternar entre a câmera em primeira pessoa e a visão sobre o ombro, em terceira pessoa.
Com isso, o jogador sente o terror pelos olhos de Grace e vivencia a ação pelas costas de Leon. Apesar dessa predefinição, é possível alterar a orientação da câmera a qualquer momento para ambos os personagens, tornando a experiência mais confortável e adaptável às preferências do jogador.
Perseguidores e Quebra-Cabeças
O jogo mantém o mesmo formato dos dois últimos títulos: há sempre um quebra-cabeça a ser solucionado para avançar na trama e, ao fim, enfrentar um chefe. Contudo, desta vez há mais de um perseguidor rondando os ambientes. O destaque vai para A Garota, a monstruosidade que apareceu nos trailers e me apavorou no mesmo nível das criaturas do remake de Silent Hill 2 ou do Xenomorfo em Alien: Isolation, com aparições surpresa e a constante sensação de estar sendo observado.
Tudo isso acontece enquanto o jogador precisa levar um item específico para solucionar determinado enigma, desviando ou confrontando inimigos e evitando os perseguidores, que são praticamente indestrutíveis com o arsenal limitado de Grace.
O modo como os cenários são construídos mantém a altíssima qualidade do estúdio e exige que o jogador raciocine e memorize locais importantes para revisitá-los assim que desbloqueia novos itens-chave. Ainda assim, o jogo permite consultar os arquivos caso surja alguma dúvida imediata.
Raccoon City
Por fim, os trailers já haviam revelado que o agente retornaria à cidade onde viveu o inferno em seu primeiro dia de trabalho: Raccoon City. Agora em sua versão bombardeada, habitada apenas por corpos de zumbis e tomada pelo tempo, pela ferrugem e pelas cinzas, a cidade serve como palco para um momento especial. O jogo apresenta Leon retornando à delegacia do segundo título, revisitando diversos pontos conhecidos — algo que desperta memórias até no próprio personagem.
Requiem entrega uma seção de ação com Leon na cidade tão intensa que poderia causar inveja a muitos filmes de ação hollywoodianos, funcionando como um aceno a todos os fãs da franquia — inclusive aos que apreciam o controverso Resident Evil 6 e aos filmes estrelados por Milla Jovovich. Portanto, prepare-se: o título guarda essas e muitas outras surpresas na manga.
Considerações Finais
Resident Evil Requiem representa a consolidação de todo o aprendizado da Capcom, mostrando que o processo de retorno ao terror mais denso de Resident Evil 7: Biohazard, em vez da ação exagerada de Resident Evil 6, pavimentou um caminho sólido. Cada etapa foi reforçada por remakes inteligentes, que aprimoraram as obras originais. Munida dessa experiência, a equipe de Resident Evil entregou um título perfeitamente equilibrado, capaz de proporcionar momentos verdadeiramente assustadores, mas igualmente divertidos na mesma medida.
Confesso que, quando finalmente tive Leon S. Kennedy novamente sob meu controle, arrepiei-me e resgatei toda a nostalgia de uma infância marcada por sessões de Resident Evil 4 no PlayStation 2 — que, aliás, muitas vezes não tinha espaço no Memory Card, já que os jogos de Dragon Ball ocupavam toda a memória, obrigando-me por muito tempo a não ver o final da campanha.
Isso sem contar o impulso quase infantil de sussurrar para a tela “Vai embora daqui” ao ver A Garota se aproximando de Grace, agachada em algum canto do cenário.
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Além disso, um detalhe que vale pontuar o título faz com o controle do PlayStation 5, e eu posso afirmar, que nem exclusivos da Sony tem o mesmo cuidado. As gotas de chuva da primeira parte no sensor do controle são absurdas, o barulho da munição sendo carregada ou da falta de munição, os diálogos pela caixa do controle e diversos outros fatores. Tudo isso soma na imersão da experiência de Requiem, contribuindo para uma apreciação maior do título.
Resident Evil: Requiem chega em 27 de fevereiro para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC
*Está análise foi produzida com uma cópia enviada pela Capcom Brasil para PlayStation 5.
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