Oscar

Pernambucanos que moram no DF se reúnem para torcer por O Agente Secreto

Pernambucanos que moram no Distrito Federal reivindicam, no mínimo, duas estatuetas do Oscar para O agente secreto

Peu Fonseca e família estão com altas expectativas para a premiação  -  (crédito: Arquivo Pessoal)
Peu Fonseca e família estão com altas expectativas para a premiação - (crédito: Arquivo Pessoal)

Estamos em contagem regressiva dramática para a história de O agente secreto. A 98ª edição do Oscar, maior premiação do cinema mundial ocorre neste domingo (15/3) no Dolby Theatre, em Los Angeles. Na capital federal, os pernambucanos organizam suas torcidas para O agente secreto, longa de Kleber Mendonça Filho, que se passa em Recife e narra a história de Marcelo, professor que decide sair de São Paulo e se mudar para Recife em época de carnaval para fugir do seu passado.

O pernambucano Kleber Mendonça Filho fez história com a presença de O agente secreto no Oscar. O longa foi indicado a quatro categorias: Melhor filme internacional, Melhor elenco, Melhor ator pela performance de Wagner Moura e Melhor filme, maior categoria da premiação. O filme foi reconhecido no Critics Choice Awards e no Globo de Ouro como Melhor filme internacional e tem chances no prêmio da Academia.

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O educador parental Peu Fonseca comenta que para quem é pernambucano, o domingo de Oscar vem carregado de emoções. "Pernambucano não é um povo que cria pequenas expectativas. Lá em Pernambuco, a gente tem Recife, a cidade com mais pontes do Brasil. É lá que a gente tem Avenida Caxangá, a maior avenida em linha reta do Brasil. Quando a gente olha para o cinema, é pensando do mesmo jeito", avalia Peu.

Peu tenta conter as expectativas porque sabe da dificuldade de conquistar um prêmio como o Oscar. "Mas sendo pernambucano, a vontade não falha nunca. A gente tem certeza que vai ganhar. Duas estatuetas, certeza que a gente vai ganhar", acredita o educador. A cerimônia será assistida em família, já que seus quatro filhos estão super envolvidos com a premiação.

"Escutam sobre O agente secreto mesmo antes de ser um filme, sobre essa cidade Recife que elas não nasceram, mas que elas amam tanto. A gente vai assistir em família e vai fazer uma festa com muita pipoca e, quem sabe, para comemorar, fazer uma cartola pernambucana para celebrar com um gostinho doce", comenta Peu sobre os planos da noite de premiação.

Para Peu Fonseca, Kleber Mendonça Filho é um pernambucano nato. "Tem uma coisa que é muito comum: você pode chegar em qualquer lugar onde tem a plateia, público, pode ser show, festival, uma praia no exterior, você vai achar uma bandeira de Pernambuco. Isso é algo que é nosso porque ela diz muito sobre a gente, ela já nos identifica na coletividade", reflete. "O Kléber é esse cara, chega há muitos anos para dar uma chacoalhada na maneira de se fazer cinema e com esse respeito profundo que ele tem pelo lugar de onde ele veio."

O educador reforça que um dos pontos que o marcou foi a sensação de que o filme cria uma dobra no tempo. "Apresenta uma cidade que subverte a lógica da temporalidade. O Recife que a gente está vendo é o Recife que já foi, mas também é o Recife que é agora no presente e é o Recife que ainda está por vir. E acredito que, do ponto de vista macro do filme, essa é a coisa que mais me marca", destaca. Além disso, Peu ressalta que a cena do monólogo de Alice Carvalho é uma das melhores dos últimos tempos do cinema brasileiro.

Caroline Didier, fisioterapeuta, também assistirá o filme em casa com a família. "Vamos assistir em casa, mas sempre com uma boa torcida organizada e blusa da pitombeira. O Kleber traz em seus filmes o estado de Pernambuco como cenário de lutas de classe, história, cultura e poder", comenta Caroline sobre o que a agrada na cinematografia do diretor pernambucano.

Para ela, o que o diretor representa no filme faz com que ela se recorde do tempo de faculdade. "A violência, autoritarismo, corrupção e poder associados à ditadura. Eu sempre amei estudar essa parte da história, meus professores eram os melhores historiadores de Recife e viveram a ditadura", destaca a fisioterapeuta.

Kalyne Aguiar, sanitarista, está certa de que o filme sairá do Oscar com vitórias e as expectativas são altíssimas. Para ela, Kleber Mendonça Filho representa muito bem o estado. "Criativo, crítico e ainda leva toda a cultura pernambucana para o mundo. O elenco é sensacional, o olhar do que tinha de mais precioso na época e em especial em Recife", aponta Kalyne.

O fisioterapeuta Diogo Aguiar está com as expectativas altas para o Oscar. "Como bom pernambucano, digo que O agente secreto é o melhor filme em linha do mundo e levaremos estatueta de novo. Agora mais de uma", afirma Diogo. Para ele, Kleber Mendonça Filho inclui elementos da cultura e do cotidiano pernambucano e recifense de forma particular. "Mas sem deixar de fazer a conexão com todo o contexto mais universal. Isso acaba despertando a curiosidade em quem não é de Pernambuco que busca compreender melhor. De certa forma, é uma forma muito eficiente de fazer a propaganda do nosso país Pernambuco", brinca.

Diogo destaca que apesar de não ter nascido no período do filme, relembrou histórias que ouvia em sua infância. "Conseguiu captar e retratar fielmente o cotidiano da época, inclusive que, em muitos aspectos, ainda está cristalizado na sociedade recifense e pernambucana nos dias atuais", destaca o fisioterapeuta.

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postado em 15/03/2026 00:01 / atualizado em 15/03/2026 19:44
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