Com a peça Atrás das paredes, a companhia brasiliense Plágio de Teatro aborda temas como abuso infantil, violência doméstica e gravidez indesejada: o espetáculo parte do encontro entre vizinhos que não se conhecem e decidem dividir o almoço de domingo; com o tempo, conhecem o verdadeiro caráter do outro. A peça é estrelada pela atriz Carmem Moretzsohn e dirigida por Sérgio Sartório, com texto do argentino Santiago Serrano.
Agora, a encenação será levada para públicos de fora da capital, com a participação da Cia na Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp) pela Plataforma Brasil, na conexão Centro-Oeste; e no Festival de Curitiba, na Mostra Lucia Camargo. As apresentações acontecem nos dias 7 e 8 de março, na Sala Itaú Cultural, às 19h, em São Paulo, e nos dias 7 e 8 de abril, na Caixa Cultural de Curitiba.
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O texto de Atrás das paredes foi escrito em 2010. Passados 16 anos, a temática ainda continua atual, na visão de Carmem Moretzsohn. "Não poderia ter um tema mais atual, nesses tempos de caso Epstein, aumento da violência contra a mulher e onda de conservadorismo", reflete. "Muita coisa mudou desde lá, e nós estamos num exercício de fazer o texto dialogar mais fortemente com o agora — embora o ser humano seja essencialmente o mesmo sempre."
Santiago Serrano escreveu a peça já com Carmem em mente. Os dois se conheceram em 2005, em uma apresentação da peça Dinossauros, de autoria dele. "Meu marido, Guilherme Reis, o ator Murilo Grossi e eu lemos o texto e entramos em contato com Santiago, que foi completamente acessível e simpático à ideia da montagem no Brasil", conta a atriz.
Os dois se tornaram amigos e, desde então, Serrano teve vários textos encenados no Brasil; a Cia Plágio de Teatro foi responsável pela adaptação de cerca de cinco desses.
Moretzsohn destaca a construção das personagens e a forma como os assuntos são tratados durante a peça. "Minha personagem é uma mulher bem complexa, sem limites e sem escrúpulos, que lança os temas espinhosos na conversa", diz. "Eles são abordados de forma profunda, mas com sutileza e um toque de humor, ainda que ácido", finaliza.
Sérgio Sartório destaca a formação de Serrano como psicanalista. Para ele, isso enriquece as camadas da obra, "fazendo com que cada cena e palavra dita, por mais corriqueira que pareça, complete uma densa teia da psiquê humana."
*Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco
