Disponível em todas as plataformas digitais, o EP Damdara é um projeto musical do artista antónio vicente e traz letras nas quais ele reflete sobre vivências LGBTQIAPN+. O projeto nasceu do impacto causado pelo assassinato brutal da travesti Dandara dos Santos e de um amplo estudo teórico sobre o feminino, o patriarcado e a histeria. É um projeto que usa a música pop como elemento para não perder a memória.
A obra assume contornos de denúncia e memória. Dandara foi torturada e morta em um crime que ganhou repercussão internacional e expôs a violência contra pessoas trans no Brasil. Durante as agressões, segundo relatos, ela chamava pela mãe enquanto era espancada. A brutalidade do caso ecoa na construção artística do EP, que transforma a indignação em linguagem sonora.
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Artista assumidamente gay, antónio vicente constrói a obra para além das próprias dores e alegrias e traz ára as letras o resultado de uma escuta atenta das vivências de outras pessoas LGBTQIAPN+. O trabalho parte do desejo de acolher e oferecer abrigo a quem foi violentado, marginalizado ou silenciado. O artista conta que seu compromisso não é oferecer conforto superficial, mas criar um espaço real de acolhimento, um território no qual existir, sentir e resistir são atos inseparáveis.
O EP é resultado de um processo criativo profundamente ancorado no estudo. O artista parte de Estudos sobre a Histeria (1893–1895), de Sigmund Freud, nos quais o corpo feminino é historicamente enquadrado como território de controle, e amplia o debate com autores como Silvia Federici, Clarissa Pinkola Estés, Martha Robles, Gustave Flaubert e William Shakespeare. Esse percurso teórico se desdobra no ensaio audiovisual FREUD & DAMDARA em manifesto, publicado no YouTube, reforçando a crença de que a transformação social passa necessariamente pelo conhecimento crítico e histórico.
“A literatura, os livros, em geral, são a única forma de nos libertarmos. É através dos livros que podemos nos educar e seguir em frente, com escuta ativa e histórica; para que os erros do passado não sejam cometidos novamente no futuro”, diz antónio.
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