Qual é o limite entre o profissionalismo, a omissão e o oportunismo inescrupuloso para um funcionário de Estado em um contexto extremo? É essa a pergunta que atravessa o livro Essa história faz de mim um covarde?, escrito pelo diplomata mineiro João H. Bayão, que será lançado no dia 9 de abril, às 19h, na Livraria Platô.
A narrativa começa quando Alberto Munhoz, um diplomata em crise, parte para uma embaixada desimportante para ser esquecido até a maré baixar, enquanto deixa para trás um país em pleno avanço autoritário. Na pequena República de Lavinski, ele busca se esconder do próprio tempo histórico, enquanto é, pouco a pouco, arrastado de volta para o centro do conflito moral que vinha tentando evitar. Ao ocupar seus dias com produções de relatórios sobre a irrelevante política local, suspeita estar sendo envolvido em uma insólita trama de perseguição e espionagem.
A trama percorre tensões entre amizade, desejo e culpa nos bastidores da diplomacia. Oscila entre o cômico e o trágico, o excêntrico e o prosaico, em torno do questionamento que Alberto faz sobre seu papel no mundo.
Quem assina a orelha do livro é o professor João Daniel de Almeida. Ele afirma que o livro é uma crônica divertida e cômica do efeito do bolsonarismo no Itamaraty. “A primeira de que tenho conhecimento na literatura nacional (...) O romance presta homenagem a todos aqueles, muitos, que resistiram ao obscurantismo do período. Mas traz, acima de tudo, uma exposição crua dos que fizeram o rebranding em suas histórias, transformando seu sabujismo e cooperação com o governo em Deep State ou 'corpo mole'. Se o protagonista Alberto tem dúvidas sobre se é ou não um covarde, nos resta uma certeza: seu autor, é, inegavelmente, corajoso”, diz.
O autor, nascido em Belo Horizonte, é formado em Direito pela UFMG. Diplomata de carreira, morou no Rio de Janeiro, Brasília, Buenos Aires, Bruxelas e Liubliana. Essa história faz de mim um covarde? é seu livro de estreia e nasceu da inquietação sobre escolhas pessoais e profissionais. “Eu queria explorar o ponto de vista de alguém que não é um vilão caricato nem um herói exemplar, e que vai empilhando pequenas concessões até perceber que está colaborando com aquilo que dizia rejeitar”, conta.
Apesar de o enredo partir do real, não está preso a ele. O escritor quis, a partir de suas vivências no meio diplomático, levar os deveres do cotidiano, como reuniões e pequenos rituais de poder, para a ficção.
Serviço
Lançamento de livro: Essa história faz de mim um covarde?
Dia 9 de abril, às 19h, na Livraria Platô (CLS 405 BLOCO A LOJA 12)
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