
A edição de 2026 do Wireless Festival, um dos principais eventos musicais do Reino Unido, não acontecerá neste ano. A decisão veio após o governo britânico barrar a entrada do rapper norte-americano Kanye West, também conhecido como Ye, nome que lideraria o line-up do festival previsto para julho. Sem seu principal destaque, a organização optou pelo cancelamento integral.
O comunicado oficial foi direto ao associar a medida à situação do artista: “Como resultado da proibição de entrada de Ye no Reino Unido, o Wireless Festival foi obrigado a cancelar”. A produção também informou que todos os ingressos serão reembolsados automaticamente aos compradores.
A negativa do governo está relacionada ao histórico recente de declarações do artista, classificadas como antissemitas. De acordo com a BBC, West tentou ingressar no país por meio de uma Autorização Eletrônica de Viagem (ETA), mas teve o pedido recusado pelo Ministério do Interior, que considerou sua presença incompatível com o interesse público. O episódio se soma a outro ocorrido no ano passado, quando ele também teve o visto negado para entrar na Austrália.
Antes mesmo da decisão oficial, a escolha do artista já vinha provocando desgaste. Entidades judaicas reagiram publicamente, enquanto pressões políticas e comerciais ganharam força. Patrocinadores como Pepsi e Diageo romperam vínculos com o evento, e o primeiro-ministro Keir Starmer classificou a participação de West como “profundamente preocupante”. Ainda assim, os organizadores afirmaram que, no momento da contratação, “nenhuma preocupação foi levantada”.
O cancelamento ocorre em meio a uma sequência de controvérsias envolvendo o músico. Nos últimos anos, suas falas e ações — incluindo o lançamento da música Heil Hitler, a venda de camisetas com suásticas e declarações ofensivas à comunidade judaica — ampliaram a repercussão negativa em torno de sua imagem. Comentários anteriores, como a afirmação de que os 400 anos de escravidão teriam sido “como uma escolha”, também contribuíram para críticas recorrentes de empresas, autoridades e organizações.
Em meio ao impasse, West chegou a sinalizar uma tentativa de mudança de postura. Nas redes sociais, afirmou que pretendia usar o show como uma oportunidade de “mudança, união, paz e amor”, reconhecendo, no entanto, que “palavras não bastam” e que precisaria sustentar esse discurso com ações. O artista também disse estar disposto a se reunir com membros da comunidade judaica no Reino Unido após pedir desculpas pelas declarações.

Diversão e Arte
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