Kristen Stewart deu um passo decisivo fora da atuação e assume, pela primeira vez, a direção de um longa-metragem com A Cronologia da Água, adaptação do livro de memórias de Lidia Yuknavitch que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (2/4). Reconhecida mundialmente por interpretar Bella na saga Crepúsculo, ela conduz agora uma obra que se afasta completamente do universo que a popularizou, apostando em uma narrativa marcada por intensidade, ruptura e experimentação.
No centro da história está Lidia, personagem de Imogen Poots, cuja formação é atravessada por um ambiente familiar violento. Filha de uma mãe alcoólatra e de um pai que comete abusos físicos e sexuais contra ela e a irmã mais velha, cresce em meio ao medo e à instabilidade. Nesse cenário, a água surge como um espaço de respiro, especialmente através da natação, que funciona como abrigo e possibilidade de permanência.
- Leia também: Wagner Moura Cullen? Ator brasileiro protagoniza suspense de vampiros com Kristen Stewart
A dedicação ao esporte abre uma brecha concreta de mudança quando Lidia conquista uma vaga para treinar na universidade. A saída de casa, no entanto, não representa um rompimento completo. As marcas da infância seguem presentes, atravessando suas escolhas, seus vínculos e a forma como ela lida com o próprio corpo e com o prazer, muitas vezes por meio de comportamentos autodestrutivos.
A narrativa incorpora momentos decisivos dessa trajetória, como a perda da primeira filha durante o parto e o avanço da dependência química. Esses acontecimentos não são organizados de forma linear. O filme acompanha uma consciência fragmentada, em que lembranças emergem de maneira desordenada, interferindo no ritmo e na construção do tempo.
Kristen, que leu o livro em 2017, descreve a obra como “sagrada” e constrói uma adaptação guiada por estímulos sensoriais e pela tentativa de traduzir a experiência da memória no corpo. “Eu queria que esse filme fosse quase impossível de segurar, como uma batata quente. Queria que ele pulsasse. Cortes rápidos, som imersivo e um ritmo visceral do jeito que a memória atravessa o corpo”, explicou.
A proposta se concretiza em uma estrutura que recusa a linearidade. As lembranças se sobrepõem, retornam e se transformam, dissolvendo a ideia de uma cronologia estável. Passado e presente coexistem sem delimitação clara, criando uma narrativa que se reorganiza a cada nova imagem.
Ao final, o longa não oferece respostas objetivas sobre o que pertence ao campo do real ou da imaginação. O que permanece é a experiência de uma mente marcada por traumas, traduzida para o cinema de forma sensorial e inquieta. “A Yuknavitch não entrega uma narrativa arrumadinha. Ela te dá os estilhaços e exige que você monte tudo por conta própria”, afirmou Kristen.
Saiba Mais
-
Diversão e Arte Como bacalhau virou prato típico da Sexta-Feira Santa
-
Diversão e Arte SBT discute retomada da teledramaturgia em meio a crise de audiência
-
Diversão e Arte Christiane Torloni celebra o aniversário da mãe ‘Bênção’
-
Diversão e Arte Tá namorando? Paolla Oliveira abre o jogo sobre affair
-
Diversão e Arte Globo lança Loquinha, novela vertical derivada de Três Graças
-
Diversão e Arte Otávio Augusto manifesta desejo de voltar em Avenida Brasil 2
