Depois de uma temporada milagrosa que praticamente trouxe o jogo de volta à vida, "Overwatch" ganha uma segunda temporada, nomeada de “Apogeu”. No original em inglês, Summit - com o objetivo de manter o hype que o jogo criou. Para isso, a Blizzard traz aos jogadores uma série de cosméticos novos, mudanças na qualidade de vida do jogo e, principalmente, uma nova heroína. A introdução desses novos conteúdos ao jogo foi feita de uma forma que remete bastante aos dias antigos de "Overwatch", para o bem e para o mal.
Sierra bombardeia o meta por inteiro
O rosto da nova temporada é Sierra, a nova heroína da classe de Dano. O visual da personagem remete a um soldado, sem manter o conceito estereotipado da função. As cores vibrantes reforçam a personalidade forte da personagem e reiteram o desejo de não se esconder, como foi o destino de sua mãe.
Sierra Turner Woods é filha de Kendra Turner Woods, uma mulher misteriosa que constantemente era forçada a fugir de seu passado. Sierra ia junto da mãe e, devido às circunstâncias, nunca conseguiu se firmar em um lugar ou fazer amigos. Certo dia, sua mãe desapareceu, e Sierra foi deixada sozinha. A garota descobriu, mais tarde, que o governo estava atrás delas buscando informações sobre o projeto de criação de supersoldados — o mesmo que resultou na criação do Soldado 76 e do Reaper. A jovem, então, se juntou à instituição de segurança internacional “Helix”, que ficou responsável por guardar informações a respeito do projeto em que a mãe era envolvida. Atualmente, Sierra se aliou à Overwatch para combater a gangue Deadlock e obter mais informações a respeito do legado da mãe.
No aspecto da jogabilidade, Sierra parece uma heroína clássica do jogo da melhor forma possível. Sua habilidade mais divertida, com certeza, é seu drone âncora com arpéu, que a permite se lançar para qualquer canto desejado e ainda escapar com sua segunda ativação. Ela também carrega uma granada, a carga de tremor, que serve perfeitamente para finalizar oponentes fragilizados ou arremessá-los para fora de posição. Contudo, as duas habilidades mais potentes — e controversas — são o disparo perseguidor, um tiro rastreador que, se acertado, garante alguns segundos de mira automática no alvo atingido, e, por fim, a habilidade suprema, que sozinha é capaz de eliminar o time inimigo inteiro com seu bombardeio e fazer seis jogadores quererem banir a personagem na próxima partida que forem jogar.
Apesar disso, a heroína não performou tão bem quanto esperado nos primeiros dias da temporada, o que levou os desenvolvedores a rapidamente buffarem — aumentar os atributos da personagem — a personagem em uma atualização relâmpago, feita três dias depois do lançamento, como faziam com os antigos em 2017; que veio para garantir que receber um tiro rastreador dela seja equivalente a assinar um atestado de óbito, a menos que você tenha uma parede ao seu lado, é claro.
No geral, a personagem dá a sensação de jogar com um Homem-Aranha armado. Ainda é necessária uma mira refinada para acertar os disparos rastreadores com consistência, mas, no geral, a heroína é uma boa adição ao vasto elenco do jogo.
Mudanças no jogo
Talvez a melhor parte da nova temporada sejam as novas mudanças de qualidade de vida aplicadas ao pré e pós-jogo. Durante a seleção de mapas, agora é possível ver se o seu time jogará no ataque ou na defesa de cada mapa. Além disso, caso um mapa possua seis ou mais votos que os demais, a etapa de sorteio será pulada completamente e o mapa com mais votos será automaticamente escolhido por maioria absoluta. Uma opção de mapa aleatório também foi adicionada para garantir que ninguém seja forçado a escolher entre Suravasa, New Junk City, Antares ou desligar a internet de casa.
A Blizzard também trouxe de volta a votação de MVP depois da partida, o que, apesar de não funcionar exatamente da mesma forma como no Overwatch clássico, ainda adiciona um fator de interesse e permanência mesmo depois que o jogo acaba. Os cards supostamente foram removidos para mitigar a toxicidade no jogo; porém, esse quesito parece não ser mais um problema aos olhos dos desenvolvedores, uma vez que também foi adicionado um chat de voz entre as duas equipes no pós-jogo, o que gera diálogos certamente intrigantes.
Cosméticos
A nova temporada trouxe uma série de novos cosméticos para customizar os heróis. O passe de batalha traz um conjunto de skins lendárias baseadas em fadas para Moira, Wuyang, Ashe, Illari, Lifeweaver e Echo. No geral, Overwatch possui um bom histórico com skins de passe, e isso se confirmou mais uma vez. A temática mágica contrasta bem com a estética futurista em que os personagens estão imersos, especialmente nas skins do Wuyang e da Echo, que ficaram com uma qualidade ótima.
O outro conjunto de skins disponível no momento é o pacote Sakura, com a temática de árvores de cerejeira japonesas. O ponto alto do pacote são as skins da Junker Queen e do Genji. Por outro lado, Emre acabou com uma aparência robusta demais, enquanto a skin da Freja carece de detalhes. Hanzo e Juno também estão nesse pacote, mas não se destacam muito.
Desde a introdução da classe mítica, as skins lendárias dos personagens parecem ter perdido o refino que costumavam ter originalmente. Isso pode ser observado nas alterações adicionais, como skins que mudam falas de habilidade suprema. Esses “brindes” são quase sempre reservados para as míticas, as quais também impressionaram nessa temporada.
Genji recebeu a Sumi-Ichimonji como arma mítica, transformando sua katana e shurikens em armas rubro-negras que se inflamam conforme o jogador consegue eliminações. A skin conta com animações especiais e efeitos sonoros de abate, ambos muito bonitos. O único defeito é ter mantido o dragão do herói na cor verde, o que destoa do restante do visual. Ademais, a skin do Soldado 76 traz uma boa revitalização para o personagem; porém, a peça que mais impressiona é a futura mítica do Ramattra, que já necessitava de atenção há tempos.
Balanceamento
As mudanças nos heróis foram marcadas principalmente pela redução na mobilidade de Mercy e Kiriko. Essas alterações diminuem o potencial de flanqueamento e estimulam o jogo cauteloso. Em suma, a estratégia do momento é o Poke — do inglês, cutucar — com heróis como Sigma e Orisa servindo como fortalezas móveis sustentadas por suportes bem protegidos. Heróis de hitscan, como Sojourn e Cassidy, são escolhas valorosas para lidar com os momentos em que uma brecha na equipe oponente se abre para conseguir um abate. Para além disso, heróis de Dive — mergulho em inglês — como D.Va e Tracer ainda continuam fortes e valem a pena ser testados nas condições certas.
No geral, “Apogeu” lembra a época clássica de Overwatch, com um herói divertido e com o retorno de funções queridas pelos fãs. Contudo, o desbalanceamento da nova heroína, seguido por uma atualização precoce, e a falta de um acabamento nos cosméticos e no pós-jogo relembram a bagunça entre os desenvolvedores de antigamente e impedem a segunda temporada de ser um aprimoramento absoluto da anterior. Ainda assim, a experiência continua positiva.
Overwatch está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S e Nintendo Switch.
Está análise foi feita com conteúdo enviado pela Activision Blizzard Brasil
Estagiário sob supervisão de Paulo Leite
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