Música

Di Ferrero abraça a coragem de ser vulnerável em novo disco

Inspirado pelo misticismo e pela transformação com a idade, cantor amarra astrologia e conexões de berço no disco SE7E, seu trabalho mais sincero e objetivo até aqui

Di Ferrero apresenta o projeto mais sincero da carreira até aqui -  (crédito:  Divulgação/ Cesar Ovalle (@cesinha))
Di Ferrero apresenta o projeto mais sincero da carreira até aqui - (crédito: Divulgação/ Cesar Ovalle (@cesinha))

A maturidade traz consigo novas formas de ver e viver a vida. Para quem é artista, também é um jeito de transformar esses sentimentos inéditos em cartas para o mundo. E isso, desde sempre, é uma grande habilidade do cantor e compositor Di Ferrero. Esse é o combustível de sua atual fase artística. Em meio aos preparativos para o encerramento do ciclo de seu novo álbum de estúdio, intitulado SE7E, o artista tem resgatado em raízes do passado um modo mais sincero de falar sobre a própria vulnerabilidade, sem se apegar ao que as pessoas vão pensar. 

O disco, gerado ao longo de um ano em um formato colaborativo de lançamentos graduais, expõe um lado mais orgânico e reflexivo do artista. “Eu fiz 40 anos, então estou em um momento da vida que você fica pensando sobre o tempo, sobre o que vale a pena e o que não vale”, revela Di Ferrero. “É sobre deixar de tentar agradar todo mundo, ou não ter medo de desagradar. Isso vai virando música. Tentei, ao máximo possível, ser verdadeiro e objetivo”, completa.

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E de acordo com ele, essa iniciativa vem muito do que enxerga a respeito da nova geração, que também tem coragem de expor o que pensa e o que sente. Assim, de uma maneira mais introspectiva, Di trouxe as questões que tanto lhe reverberaram por dentro. Mais do que isso, imaginou um conceito especial para esse projeto que é mais o artista do que qualquer coisa. 

Raízes, misticismo e conexões

O título SE7E não foi escolhido ao acaso. O número carrega um forte conceito astrológico e familiar. Di Ferrero conta que resgatou ensinamentos que vêm de sua mãe (que é psicóloga e astróloga), de sua tia e de seu avô. Toda a amarração do projeto — desde a identidade visual baseada no azul do início da noite até as datas de lançamento guiadas pela lua nova — foi calculada segundo essas vivências.

Mesmo com oito anos de estrada em carreira solo e uma história consolidada como a voz do NX Zero, o frio na barriga antes de um lançamento permanece intacto. “Ainda bem que tem. Eu gosto. Fiquei ansioso, essa noite nem dormi direito, mas estou feliz”, confessa ele, que já se prepara para uma grande sequência de shows em grandes festivais, incluindo o Rock in Rio, o The Town e o Capital Moto Week, em Brasília, marcado para o dia 25 de julho.

Crescido em meio à transição a queda brusca do mercado de CDs para o surgimento do YouTube e o streaming, Di Ferrero observa com naturalidade a atual engrenagem ditada por plataformas como Spotify e TikTok. No entanto, ele finca o pé contra a gourmetização da arte em prol do engajamento instantâneo. “Se eu começar a fazer música e me preocupar em como a galera vai consumir só nisso, estou ferrado. Não vou fazer uma música curta só porque ela precisa caber em uma trend. Se ela precisar de uma parte a mais, eu vou fazer a parte a mais”.

Para o cantor, o imediatismo das redes sociais pode engessar a criatividade. “A galera faz muita música por causa da trend, mas você pode ter certeza que a grande maioria das que viralizam, a pessoa não pensou nisso. Você faz pensando em viralizar e talvez engesse muito o som, a arte, o que queria passar. Ainda bem que isso não está no nosso controle”, acrescenta Di Ferrero.

O rock como linguagem

Ao analisar a evolução da música brasileira, Di Ferrero celebra o fim de velhos preconceitos de sua época de formação nos anos 2000, quando era julgado por cantar sobre sentimentos dentro do rock. Hoje, vê o gênero de forma muito mais ampla, misturando-se diretamente com novas vertentes periféricas, como o trap. Antes, inclusive, fazia isso, como no popular e amado feat. com o Emicida, na música Só rezo.

Hoje, o músico confessa estar presente nos mais diferentes nichos, isso falando de gosto pessoal. Escuta rap, trap e também samba. Artistas como Duquesa, FBC, Terno Rei e Budah estão sempre no fone de Di Ferrero. Além, é claro, da banda Lagum, que é dita por ele como grupo que, atualmente, mais se parece com o que foi o NX Zero. Essa mudança de paradigma, especialmente no gênero em que está inserido, é importante para que haja sempre uma união musical onde, no fim, todo mundo sai ganhando. 

“O rock não é apenas duas guitarras mais distorcidas e pesadas. É uma linguagem, o estilo de se vestir, de falar, a atitude”, reflete. Ele aponta que, mesmo diante do avanço das inteligências artificiais e dos algoritmos, o fator humano e a experiência física continuam insubstituíveis. “O ao vivo ainda é o ao vivo. É onde as pessoas se encontram. Música é a arte que você escuta e não olha; quando você olha, seu olho já julga, mas a sensação você não julga, você sente”.

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postado em 25/05/2026 17:43
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