Música

A sintonia perfeita: o sucesso dos irmãos Dubdogz na música eletrônica

Conheça a história dos gêmeos que venceram o preconceito da profissão, conquistaram o primeiro lugar no Beatport e provam que a música eletrônica também é feita de afeto

O duo de DJs Dubdogz roda o mundo fazendo sucesso com a música eletrônica -  (crédito: Reprodução/ Instagram (@dubdogz))
O duo de DJs Dubdogz roda o mundo fazendo sucesso com a música eletrônica - (crédito: Reprodução/ Instagram (@dubdogz))

A paixão pela música, quase sempre, é um negócio de família. Dentro de casa, vários artistas encontram sensação de pertencimento na arte de criar. A diferença dos irmãos gêmeos Marcos e Lucas Schmidt, o duo conhecido como Dubdogz, é que eles compartilham, juntos, o mesmo amor pelo universo das beats e das horas de estúdio. Uma das principais duplas da cena eletrônica a nível nacional, os dois estão desde a adolescência vivendo um sonho fraternal. 

E enquanto celebram o topo das paradas globais, os mineiros de Juiz de Fora, vivenciam há mais de duas décadas a ascensão de um ritmo que, de certa forma, sempre foi visto com olhos tortos no Brasil. O início da jornada dos irmãos na produção musical ocorreu aos 15 anos, em uma época dominada pelo pop rock, na qual tutoriais de internet eram inexistentes. "Naquela época tinha que fazer um curso e até ler livros. A gente tinha que procurar, de algum modo, como é que fazia", relembram, destacando o esforço necessário para aprender a produzir no início da carreira. 

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"Tínhamos um manual de como usar compressor. Em livro mesmo, para ler. Hoje em dia tem tudo ali, na internet, especialmente com os tutorias”, detalham. Para eles, a dedicação integral na adolescência funcionava de forma natural. "Nosso videogame era isso", brinca a dupla. Hoje, o cenário se transformou radicalmente e o gênero alcançou um nível de democratização que atrai desde bebês até o público da terceira idade, transformando os DJs em atrações principais. 

No entanto, manter-se no topo exige um trabalho diário e exaustivo de estúdio na criação de remixes e faixas autorais, além de uma constante leitura de pista para guiar multidões ao longo de apresentações que ultrapassam longas horas de duração, sobretudo com os long sets. Essa consolidação global atingiu um novo patamar com a recente conquista do primeiro lugar na categoria Tech House e o terceiro lugar no ranking geral do Beatport, a maior plataforma de download de música eletrônica para DJs do mundo, tornando-se uma das faixas mais baixadas globalmente durante uma semana.

As produções e o estigma

E a rotina de quem está na música eletrônica, especialmente a do duo, não é nada fácil. Boa parte das vezes, estão mais fora do país do que perto da família. E isso, também, porque o gênero ainda tem mais força no exterior. Os irmãos lembram que a dinâmica das turnês em locais como Ibiza, Tunísia, Dubai e Chipre muitas vezes impede o aproveitamento real dos destinos. "A gente, praticamente, conhece só os hotéis e vai embora. Ainda assim, apesar de ser muito legal, também pode ser muito cansativo”, destacam.

Apesar do forte apelo do mercado externo, a dupla mantém o foco no Brasil e investe na expansão de marcas próprias por meio da festa Triple. O projeto especial é considerado por eles como o mais especial da carreira por juntar todas as labels e universos em uma única experiência de três palcos simultâneos: Palco Nostalgia; Palco Error; e Palco Parade. "É a chance do fã conhecer todos os lados do Dubdogz em uma festa só", explicam os artistas, que pretendem rodar o país com o formato.

Para os dois, a principal potência da música eletrônica, atualmente, é a Holanda. Lá, contam que esse universo está integrado ao cotidiano de todas as idades, em especial pela rádio. No entanto, acreditam que o Brasil caminha a passos largos para fazer parte desse topo. Os irmãos apontam que o DJ Alok teve um papel fundamental nesse processo, ajudando a quebrar estigmas históricos e a popularizar a profissão em rede nacional.

Com isso, a dupla rebate a visão preconceituosa de quem considera a profissão um caminho fácil baseado apenas em ser um ‘DJ de pendrive’. "Você tem que ser um leitor de pista, na verdade. Tem que saber qual é a música. Tem que criar aquele ambiente, passar horas no estúdio. Não é nada fácil e tampouco simples", detalham. Símbolos de uma geração que é nova no cenário, o duo é, sem dúvida, um dos responsáveis por inspirar tantos profissionais a seguirem no meio

Eles observam que 90% dos DJs de sucesso atual são produtores que passam a semana imersos em estúdio criando suas próprias faixas e remixes. Todavia, o advento das redes sociais, naturalmente, ajuda a difundir o ritmo e a aproximar pessoas que, antes, pareciam distantes da música eletrônica. Mais do que isso, agora, os DJs ganham cada vez mais espaço e notoriedade. 

De olho no restante de 2026, os planos do Dubdogz incluem uma intensa agenda internacional com apresentações programadas nos mais diversos países. No front nacional, além de comandarem a reformulação da Dogs Parade em São Paulo e no Rio de Janeiro, os mineiros sinalizam o desejo de desembarcar com projetos conceituais em Brasília, lugar onde a dupla é muito querida. 

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postado em 29/05/2026 16:48
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