Os curadores Cleber Cardoso Xavier e Júlia Barbosa buscaram mostrar, com a exposição entre acervos, que é possível começar uma coleção de arte mesmo com poucos recursos. Para isso, selecionaram mais de 60 obras de dez acervos brasilienses, sendo nove destes de pequenos colecionadores, que podem ser vistas a partir desta quinta-feira (14/5), às 19h, no Museu de Arte de Brasília (MAB).
A mostra reúne obras de artistas de nomes como Athos Bulcão, Manabu Mabe e Nelson Maravalhas, e tem forte presença feminina, com os trabalhos de Zuleika de Souza, Lêda Watson, Clarice Gonçalves, Denise Camargo e Luisa Gunther, entre outras. As obras foram escolhidas a partir da linguagem utilizada, com a seleção de pinturas, esculturas, gravuras e desenhos, e a relevância dos artistas para a história da arte ou a possibilidade de crescimento deles no sistema artístico.
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O processo de curadoria partiu da identificação dos acervos e da presença de obras originais nestes, já que foi feita a escolha de não expor prints ou cópias digitais dos trabalhos. “O público por vezes opta por comprar uma impressão digital (cópia) de um trabalho original, seja por questões de valores ou de formatos, mas por vezes por desconhecer que, por aproximadamente o mesmo valor, poderá ter em seu acervo uma obra original de um artista”, explica o curador Cleber Cardoso Xavier.
O cotidiano é um dos aspectos mais presentes na exposição, com pinturas que retratam cenas de bar, por exemplo, e fotografias de paisagens urbanas. A diferença de suportes e formatos é outro aspecto ressaltado por Xavier. “Desde pinturas óleo sobre madeira e tela, como é o caso da série gritinhos, de Valéria Pena Costa, que é composta de um conjunto de pequenos pedaços de madeira com faces infantis ali retratadas, quanto o quadro de 1979 de Francisco Galeno, onde é apresentado um vaso de flores, numa composição gráfica muito distinta do que geralmente é conhecido e visualizado pela comunidade, numa proposta mais geométrica, como a pintura no interior da Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima da SQS 308 Sul, um patrimônio local”, diz.
A escolha de usar letras minúsculas no título da exposição surgiu de uma analogia a uma coleção pequena, de uma a cinco obras, e que pode chegar a ter mais de 30, virando uma coleção mediana, ou até um grande acervo, com mais de 500. “Com pouco recurso financeiro, a pessoa já pode adquirir uma obra de arte, principalmente de um artista jovem ou até mesmo uma obra de nomes já consagrados e presentes nos anais da história da arte”, explica Xavier. “O objetivo principal da mostra é incentivar a possibilidade do início de uma coleção por parte da comunidade residente em Brasília, entendendo Brasília como todo o perímetro do Distrito Federal.”
Serviço
entre acervos
Abertura nesta quinta-feira (14/5), às 19h, no Museu de Arte de Brasília. Visitação até 29 de junho, de quarta a segunda-feira, de 10h às 18h30.
*Estagiária sob supervisão de Nahima Maciel
