
Maria Lúcia Verdi começou a escrever as histórias de vida das mulheres que a rodeavam há 20 anos, quando trouxe para o papel a trajetória de uma amiga chinesa, que, na época, enfrentava um câncer. Ao longo do tempo, juntou 18 personagens que, agora, mistura com crônicas e contos no livro Mulheres contam, a ser lançado em conjunto com A quebra da paisagem, neste domingo (21/6), a partir de 17h, na Galeria Matéria Plástica.
A primeira parte do projeto junta quatro crônicas e cinco contos, escritos em terceira pessoa, enquanto a segunda metade apresenta os relatos das personagens em primeira pessoa, no que a autora define como um “livro híbrido”. “Ele se ocupa de temas muito universais. São mulheres de todas as origens, credos e idades e, em maioria absoluta, com quem eu convivi, como minha mãe e tia. Nasce da escuta e da observação das questões e vários e desafios que elas vivem”, diz Maria Lúcia Verdi.
Cada texto leva o nome de uma mulher e, dos 18 textos, quatro serão interpretados por atrizes brasilienses durante o evento de lançamento. Bidô Galvão retrata uma mulher de quase 90 anos que priorizou a carreira durante a vida e agora enfrenta a solidão; Carmen Moretzsohn, uma personagem que enfrenta uma casa vazia com filhos e netos longe; Adriana Mariz, uma ativista ambiental criada como ribeirinha; e Kuka Escosteguy, uma adolescente que é violentada pelo namorado.
A quebra da paisagem, organizado por Evandro Salles e João Lanari Bo, traz o trabalho do fotógrafo paulista Hugo Mader, que morreu em outubro de 2023. “Quebra da paisagem foi o título que o Evandro Salles propôs para caracterizar as fotografias do Hugo, que tem em seu cerne um projeto de construção e desconstrução do olhar”, explica Lanari, professor do Departamento de Audiovisuais e Publicidade da Universidade de Brasília (DAP/UnB).
O processo de curadoria, liderado por Salles, levou à separação das imagens em cinco blocos: Paisagens em fuga, Geometrias inaturais, Um canto ao quadrado, Mundo em demolição e Sombras de mim, que funcionam como um guia de leitura. “As paisagens, lugares e objetos ermos que nos rodeiam são captadas pelas lentes de modo a salientar aspectos que provocam, sutilmente, uma espécie de ruído nas paisagens focadas”, diz João Lanari.
Hugo Mader foi também ensaísta, tradutor e montador de cinema, responsável por traduzir, entre outros, textos do crítico francês André Bazin. Para Lanari, essa experiência moldou o trabalho de Mader na fotografia. “De certa forma, sua vivência na contemplação e reflexão de imagens se condensaram na prática fotográfica, a que ele se dedicou intensamente nas últimas décadas de vida. O legado que deixou é extraordinário”, define.
Serviço
Mulheres contam e A quebra da paisagem
Domingo (21/6), a partir de 17h, na Galeria Matéria Plástica (Condomínio Privê, Morada Sul, Rua 23, Casa R49, Altiplano Leste).
*Estagiária sob supervisão de Nahima Maciel

Diversão e Arte
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