Alexandre Ribondi tinha 15 anos quando o pai, Firmino, disse que ele já era “grandinho o suficiente” para ganhar o mundo. E, do Espírito Santo, veio para Brasília. Desde então e até a morte, em 2023, dedicou mais de 50 anos de sua vida para o teatro. Nesta quarta-feira (10/6), a morte de Ribondi completou três anos, mas para celebrar os anos em que viveu e se dedicou à arte, a Cia Ruiva de Teatro apresentará Felicidade invisível, no teatro fundado por Ribondi em 2017, a Casa dos Quatro. As apresentações acontecerão nesta quinta (11/6), na sexta (12/6) e na próxima semana.
O espetáculo se baseia em textos não-dramatúrgicos de Ribondi, com alguns pouquíssimos trechos de espetáculos. Morillo Carvalho, um velho amigo de Ribondi e com quem fundou a Casa dos Quatro, se envolveu em uma pesquisa profunda: recortes do último livro que publicou e que dá nome a esta peça, escritos em blogs antigos, falas em entrevistas à imprensa, depoimentos como o que prestou à Comissão da Verdade da UnB. Mas o verdadeiro arremate foi criado com base nas memórias de uma amizade que começou em 2016, quando começaram a trabalhar juntos. Para que não falte compreensão, a vida de Ribondi é contada em ordem cronológica, ainda que não-linear.
O elenco é, em sua maioria, composto por atores recém-chegados ao teatro profissional, e que tiveram a base de estudos criada na Oficina do Ribondi, espaço de formação de atores criado por Alexandre em 2013 e mantido por Morillo e Irina Buss após a morte de Ribondi. É composto por Ana Elisa Santana, Carol Esteca, Ed Brando, Irina Buss, Isabela França, Jupiter Rodrigues, Luiza Melo, Morillo Carvalho e Tai Neri. Todos foram convidados a participar da montagem após a conclusão da Oficina, no fim de 2025, que se dedicou a construir este espetáculo.
"Conhecer mais profundamente a trajetória de Alexandre Ribondi foi como abrir uma janela para a história viva do teatro brasiliense. Perceber a marca deixada por seu trabalho despertou em mim um olhar mais sensível para aqueles que dedicam a vida à arte, muitas vezes de forma silenciosa, mas profundamente transformadora", diz Júpiter Rodrigues, que se aproximou da Casa dos Quatro após participar de um projeto iniciado por Ribondi em 2016, Felicidade, que leva oficina de teatro a jovens LGBTs periféricos.
Ribondi criou o primeiro grupo de luta por direitos LGBT´s do DF, o Beijo Livre. Também foi repórter do jornal Lampião, junto a Agnaldo Silva, e escreveu para outros diversos periódicos. Ativo e engajado em tudo que fazia, lá estava ele quando decidiu colocar um salto alto em Cássia Eller e fazê-la usar em suas primeiras incursões pelos palcos, no musical Gigolôs. Antes, na virada dos anos 1970, estimulado pelo cansaço que a ditadura militar provocava, resolveu botar no palco Crepe Suzette — o Beijo da Grapette, o primeiro besteirol brasiliense.
A cenografia de Felicidade invisível é "all yellow", pois amarelo era a cor favorita de Ribondi. Foi concebida por Morillo a partir da instalação Desvio para o Vermelho (1967-1984), de Cildo Meireles, no Instituto Inhotim. "Ribondi procurava um teatro cru, de pouco cenário, baseado apenas em ator em cena. Se despojava de figurinos elaborados ou luz complexa. Então busquei deixar o palco o mais limpo possível, e a forma que encontrei para isso foi pintar tudo o que fosse indispensável de amarelo. E os elementos são muito baseados em móveis e objetos de casa, que eram a cara dos cenários e textos dele", revela.
A trilha sonora é composta apenas por canções brasilienses ou interpretadas por brasilienses, exceto uma, que caiu como uma luva em uma das cenas mais interessantes e físicas do espetáculo.
Serviço
Felicidade invisível
Nesta quinta (11/6) e na sexta (12/6), às 20h, e 14 de junho às 19h. Na Casa dos Quatro (SCLRN 708 Bloco F Loja 02 - Asa Norte). Ingressos a partir de R$25 (meia) disponíveis no Sympla. Não indicado para menores de 14 anos.
Saiba Mais
-
Diversão e Arte Ferrari Luce: jornalista revela detalhes do 1º elétrico da marca
-
Diversão e Arte "O Afinador": Thriller de ação com astro de "White Lotus" e Dustin Hoffman
-
Diversão e Arte Cinema de convicto emissário do afeto invade programação do Cine Brasília
-
Diversão e Arte Jennifer Lopez diz que 'Ainda estou aqui' mudou sua vida
-
Diversão e Arte Amanda Araujo revela rejeição a Richarlison antes do início da relação
-
Diversão e Arte Zizi Possi rebate ataques após filha anunciar carreira gospel
