Artes cênicas

Peça inspirada em romance de E. M. Forster está em cartaz no Teatro Galpão

Obra literária do século 20, Maurice ainda inspira debates atuais. Ao retratar Maurice Hall, a Cia de Teatro evoca nomes como Oscar Wilde, Alan Turing e Harvey Milk

Companhia de Teatro Sala 3 apresenta 'Maurice' -  (crédito: Divulgação )
Companhia de Teatro Sala 3 apresenta 'Maurice' - (crédito: Divulgação )

Em 1913, o romancista E.M. Forster escreveu uma história de amor entre homens que foi publicada posteriormente, após sua morte, quando a homossexualidade deixou de ser crime na Inglaterra e no País de Gales, em 1971. A obra, intitulada Maurice, acompanha a jornada de autodescoberta e aceitação da homossexualidade de Maurice Hall, um jovem da elite inglesa na repressiva sociedade eduardiana. É a montagem dessa trama que Brasília recebe, neste fim de semana, em forma de teatro com adaptação da premiada Companhia de Teatro Sala 3, de Goiânia. 

Com dramaturgia e direção de Andreane Lima, o espetáculo acompanha Maurice Hall da infância à vida adulta na Inglaterra eduardiana — onde a homossexualidade era rigorosamente criminalizada pela Emenda do Direito Penal de 1885 que condenava qualquer ato homossexual masculino à prisão. O espetáculo acompanha a paixão platônica de Maurice por Clive em Cambridge, o abandono quando o amigo decide “tornar-se normal” e casar, a peregrinação por médicos e hipnotizadores em busca de uma “cura”, até o encontro com Alec Scudder, o guarda florestal que o faz escolher o amor acima do nome, da classe e da lei.

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Embora o cenário retratado seja o início do século XX, a montagem da peça assume um diálogo com o presente: em cena, projeções evocam os  nomes do escritor irlandês Oscar Wilde, condenado a trabalhos forçados; do matemático britânico Alan Turing, levado ao suicídio pela “terapia” hormonal que lhe impuseram; e do político e militante gay americano Harvey Milk, assassinado por ousar ser transparente em público. Entre eles e Maurice, a peça questiona: quanto do passado ainda persiste no presente?

O romance de E. M. Forster ganhou fama mundial com o filme Maurice (1987), de James Ivory, estrelado por Hugh Grant, James Wilby e Rupert Graves, um clássico do cinema queer. No palco, a história recupera o que Forster fez questão de garantir contra as convenções de sua época: um final feliz para dois homens que se amam.


Serviço

Maurice — Projeto Dicotomias Contemporâneas

25 de julho, às 20h e 26 de julho, às 18h30. No Teatro Galpão, localizado no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul, Bloco A). Entrada gratuita. Não indicado para menores de 18 anos. 

 

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postado em 22/07/2026 17:36
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