
Após bater recorde histórico no número de inscrições, a 23ª edição do Prêmio Sesc de Literatura revela quais foram as obras vencedoras. Na categoria de romance, a vencedora foi Mariana do Nascimento Ramos, com A vontade das coisas mortas, ao abordar a vida de uma professora após sobreviver a um massacre escolar. Já em conto, o vencedor foi Anacã Agra, com A replicação do sangue, que reúne diferentes personagens diante de situações extremas. Em poesia, Geografia do desconforto, de Guilherme de Miranda Ramos, foi a obra vencedora ao criar a trajetória da memória e da condição humana.
Criado em 2003, o Prêmio Sesc de Literatura tem o objetivo de incentivar novos talentos da literatura nacional. Voltado exclusivamente para autores inéditos, o prêmio beneficia os vencedores com a publicação das obras pela Editora Senac Rio e uma bonificação no valor de R$ 30 mil, além de levar os autores a uma programação de clubes de leitores, bate-papos com o público e eventos literários. Entre os jurados da premiação estão Itamar Vieira Junior, Miriam Alves, Maria Esther Maciel, Dau Bastos, Cida Pedrosa e Edimilson de Almeida Pereira.
Inspirado no caso de Suzano, em São Paulo, o livro A vontade das coisas mortas conta a história de Bruna, uma professora de literatura que vive em uma cidade do interior e busca reconstruir a própria vida após passar por um trauma. “Procurei falar com lirismo e ternura, tratando a violência de forma silenciosa que se entranha nas relações e nas coisas. Estou ansiosa para ver qual vai ser a percepção do público sobre a história”, conta a autora.
Com mais de 30 anos de produção e sem nenhuma publicação, o paraibano Anacã Agra compôs o livro A replicação do sangue com histórias marcadas por dramas familiares, paixões frustradas, vinganças, acidentes, crimes e encontros marcados pelo acaso. “Parte das histórias tem origem em experiências próprias ou de pessoas próximas, enquanto outras nasceram de notícias, filmes e outras referências”, explica.
Dividido em três atos, o livro de poesia Geografia do desconforto, do alagoano Miranda Ramos, percorre a memória e a condição humana com uma linguagem simples e imagens marcantes. “Para esse livro, eu saí da minha zona de conforto e experimentei formatos para os quais eu não tinha coragem. Estou ansioso para encontrar outros escritores, trocar experiências com essas pessoas e ser fonte de inspiração para que eles não desistam dos seus sonhos, como eu não desisti do meu", comenta.
*Estagiária sob supervisão de Nahima Maciel

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