Música

Cerrado Jazz chega à 7ª edição com homenagem a César Camargo Mariano

Além dos shows, o festival conta ainda com uma programação de oficinas realizadas na Escola de Música de Brasília (EMB)

Sandra de Sá -  (crédito: Divulgação)
Sandra de Sá - (crédito: Divulgação)

O Cerrado Jazz Festival chega à 7ª edição com uma programação que tem início nesta sexta-feira (9/10) e vai ocupar o estacionamento da Caixa Cultural até sábado com shows que reúnem artistas brasileiros de diferentes gerações. Este ano, o homenageado é César Camargo Mariano, que faz show nesta sexta (9/10) e divide o palco com Adil Silva Orquestra Noneto e Metá Metá.

"O mote deste ano é fazer um festival que traga as novas gerações da música instrumental, da música brasileira e os grandes artistas que são tão importantes na música brasileira, no sentido de juntar as novas gerações com artistas com trajetória reconhecida", explica Lorena Oliveira, idealizadora e diretora-geral do festival. "É memória e reverência. A gente reúne no palco artistas de várias gerações para fazer esse grande encontro."

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No sábado (10/10), a programação traz César Camargo Mariano e Adil Silva Orquestra Noneto, além da mistura brasileira do Metá Metá. A escolha de César Camargo Mariano como convidado especial é um desejo antigo de Lorena. "O César atravessa gerações. Ele faz parte da memória afetiva e musical do Brasil, mas, ao mesmo tempo, continua sendo uma referência para músicos, arranjadores e compositores mais jovens. Quando a gente fala em reunir gerações, ele representa muito bem esse elo entre memória e excelência musical", explica. "E é a realização de um grande sonho porque a gente está há muito tempo tentando trazê-lo."

Pianista e arranjador icônico da MPB, diretor musical do álbum Elis&Tom (1974), uma das maiores referências da música brasileira, Camargo Mariano toca acompanhado do baixista André Vasconcellos. "A música brasileira é extremamente rica e intuitiva. No cenário jazzístico e mundial, essas qualidades musicais são muito respeitadas e valorizadas", garante o pianista.

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Formado por Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França, o Metá Metá vai apresentar um repertório variado, com músicas de todos os discos. "Sempre buscando tocar essas canções com bastante elasticidade nos arranjos", avisa a cantora Juçara, que garante também músicas de projetos como a trilha de um espetáculo para o Grupo Corpo e parceiras com Jards Macalé. "As influências do Metá Metá são individuais, cada um teve um percurso particular e juntou influências que muitas vezes são distintas entre nós. A gente soma essas influências que estão dentro de cada um e desenvolvemos o nosso som. Temos em comum algumas visões sobre música, de tocar sempre de um jeito muito energético e visceral", conta o violonista e guitarrista Kiko Dinucci.

No sábado, a cantora Tatiana Parra e o pianista Vardan Ovsepian sobem ao palco para um show que mistura referências da música erudita com a popular, tema do disco mais recente da dupla, The Flight of the Hidden Heart (2026). "Esse disco traz 10 composições do Vardan, que está há um tempo bastante envolvido com o conceito do desconstrutivismo, muito imbuído dessas ideias, não só na filosofia, mas na arquitetura, e que produziu composições originais para esse disco", conta Tatiana. A dupla  tem quatro discos lançados e trabalha junto há mais de uma década. Original da Armênia, Vardan é coordenador do departamento de jazz da California Institute of the Arts (CalArts), em Los Angeles, e Tatiana é professora da faculdade Santa Marcelina. Para ela, o repertório do último disco é desafiador especialmente pela mistura de referências armenas e brasileiras. "A gente consegue aprofundar um pouco do que vinha fazendo nos outros discos no sentido de ter aspectos de improvisação de arranjos e de usos da voz no piano de maneira mais contrapontística e de maneira cada vez mais expressiva", avisa a cantora. 

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Também no sábado, Pablo Fagundes, gaitista de Brasília, sobe ao palco com o Claudia  Castelo Branco Trio para um show que mistura estilos e autorias. "O trio da Claudia é muito arrojado, com arranjos sofisticados, muito rítmicos e profundamente ligados à música brasileira, além de ter uma grande abertura para a improvisação. A ideia é justamente explorar esse encontro entre os nossos universos, com bastante diálogo, liberdade e interação no palco", avisa Pablo Fagundes. O soul funk de Sandra Sá encerra o festival com uma combinação de ritmos brasileiros. 

Ainda no sábado, haverá uma programação especial para as crianças com apresentação do Circomvida. "São 11 anos de Cerrado Jazz e a gente chega com sentimento de teimosia, resistência, porque fazer um festival gratuito, aberto ao público, ocupando espaços públicos da cidade é um trabalho de teimosia e muita vontade de levar a música brasileira e o jazz a todas as pessoas", diz Lorena. 

Além dos shows, o festival conta ainda com uma programação de oficinas realizadas na Escola de Música de Brasília (EMB). "É o momento de encontro, o momento de o público do festival se aproximar dos artistas. A gente acha muito importante essa parte de formação, tanto de público quanto de alunos. É gratuito e qualquer pessoa pode ter acesso", avisa Lorena. São quatro encontros nos quais os artistas vão falar sobre suas trajetórias e conversar com o público. 

Duas perguntas

César Camargo Mariano

Qual o lugar e a importância do jazz na tua maneira de entender a música e como, hoje, ele está presente na maneira como você faz música?

O jazz antes de mais nada é um estado de espírito. E é assim que eu sempre entendi a música. Música vem de dentro, do estado de espírito, da sensibilidade, do sentimento. 

E qual o papel da música brasileira no cenário jazzístico e da música no mundo?

A música brasileira é extremamente rica e intuitiva. No cenário jazzístico e mundial, essas qualidades musicais são muito respeitadas e valorizadas. A música brasileira continua influenciando não só os artistas, músicos e cantores estrangeiros, mas também muitos compositores e produtores, e cativando uma crescente audiência de admiradores em todo o mundo.

Cerrado Jazz Festival 2026 - 7ª edição

Amanhã, às 19h, e sábado, às 17h, no Estacionamento da CAIXA Cultural Brasília (SBS Quadra 4, Lotes ¾).

Entrada gratuita, sujeita a lotação.

Classificação indicativa livre

Programação

Sexta-feira (9)

20h - Adil Silva Orquestra Noneto

21h30 - César Camargo Mariano convida André Vasconcelos

23h30 - Metá Metá

Sábado (10)

20 - Claudia Castelo Branco Trio convida Pablo Fagundes

21h30 - Tatiana Parra & Vardan Ovsepian

23h30 - Sandra de Sá

17h às 19h30 - Cerradinho Jazz,  com Circomvida 

Workshops na Escola de Música de Brasília (EMB), com acesso livre

Quinta-feira (8)

14h — Workshop com Adil Silva, no Teatro Carlos Galvão 

16h30 - Workshop com Pablo Fagundes, na Sala da Biblioteca

Sexta-feira (9)

15h - Encontro com Tatiana Parra e
Vardan Ovsepian, na  Sala dos Espelhos (Prédio do TLA)

 


  • Trio Metá Metá traz sua brasilidade para o jazz
    Trio Metá Metá traz sua brasilidade para o jazz Foto: Fotos: Fernando Eduardo/ Divulgação
  • César Camargo Mariano é o homenageado do festival e faz show amanhã
    César Camargo Mariano é o homenageado do festival e faz show amanhã Foto: Divulgação
  •  A cantora Tatiana Parra e o pianista Vardan Ovsepian fazem show que mistura referências brasileiras e armenas
    A cantora Tatiana Parra e o pianista Vardan Ovsepian fazem show que mistura referências brasileiras e armenas Foto: Divulgação
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postado em 08/10/2026 14:26 / atualizado em 08/10/2026 14:31
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