
A Amazônia peruana, com sua biodiversidade, espiritualidade e conhecimentos ancestrais, é o tema da exposição Mirar el bosque desde el bosque, aberta ao público até janeiro de 2027 no Instituto Cervantes de Brasília. Realizada pela Embaixada do Peru e pela instituição cultural, a mostra reúne reproduções de obras dos artistas indígenas Dimas Paredes e Shoyan Shëca, que retratam a floresta como um universo vivo, habitado por animais, plantas e seres espirituais.
Com curadoria de Gredna Landolt, a exposição apresenta diferentes formas de compreender e representar a natureza a partir das tradições e experiências de artistas da região de Ucayali, na Amazônia peruana. Nas pinturas, a floresta ultrapassa a dimensão de uma paisagem e surge como um território de relações entre os seres humanos, o meio ambiente e as entidades espirituais que, segundo as tradições representadas, contribuem para o equilíbrio do ecossistema.
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A proposta é convidar o público a conhecer perspectivas que valorizam a reciprocidade com a natureza e os saberes transmitidos entre gerações. Em um contexto de desafios ambientais, a mostra também provoca uma reflexão sobre a relação entre a humanidade e as demais espécies, ressaltando a interdependência entre os seres vivos.
Nascido em 1954, em Masisea, na região de Ucayali, Dimas Paredes vive e trabalha em Pucallpa, no Peru. Discípulo do pintor vegetalista Pablo Amaringo, desenvolve uma produção inspirada nos conhecimentos tradicionais da floresta e em suas dimensões espirituais. Suas composições detalhadas exploram a vegetação amazônica e os seres protetores da natureza, reunindo elementos naturais e espirituais em um mesmo universo visual. O artista participou de exposições internacionais, como Amazonía Contemporánea, em Madri, e tem obras na coleção permanente do Museu de Arte de Lima (MALI).
Já Shoyan Shëca, nome artístico de Roldán Pinedo, nasceu em 1968 na comunidade indígena de San Francisco, em Ucayali, e pertence ao povo Shipibo. Autodidata, utiliza a pintura para preservar e transmitir a memória, a identidade e os conhecimentos de sua comunidade.
Em suas obras, a fauna e a flora amazônicas aparecem associadas ao kené, sistema de grafismos tradicionais do povo Shipibo que expressa dimensões culturais e espirituais. Com exposições em cidades como Paris e Madri, Shoyan Shëca é um dos nomes de destaque da arte indígena contemporânea peruana.
Serviço
Mirar el bosque desde el bosque
Visitação até 20 de janeiro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; aos sábados, das 9h às 12h, no Instituto Cervantes de Brasília, SEPS 707/907, Lote D, Asa Sul, Brasília (DF).
*Estagiária sob a supervisão de Nahima Maciel
Diversão e Arte
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