
Quase três décadas após seu lançamento original para o Nintendo 64, o remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time chega ao Nintendo Switch 2 com um desafio enorme: suceder aquele que é considerado por muitos como o melhor jogo da história. Felizmente, a Nintendo teve noção do calibre dessa tarefa e não poupou esforços no título que representa o trunfo da empresa para 2026.
O jogo conta a história de Link, um garoto que descobre ser um herói escolhido pelas deusas para salvar o reino de Hyrule. Ao se reunir com a princesa Zelda, ele recebe a Ocarina do Tempo e parte em uma jornada através da infância e vida adulta para ajudar diferentes povos e restabelecer a ordem em todos os cantos do reino em busca de impedir os planos do terrível Ganondorf.
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No aspecto visual, o jogo usa um estilo mais realista comparado aos gráficos limitados do Nintendo 64 e do tom mais próximo de um desenho animado da versão de 3DS. Mas, apesar do contraste com seus antecessores, o novo visual complementa o jogo como uma luva, com destaque para os novos modelos dos personagens, que se mantém com aquela mesma energia animada e caprichada observada nos modelos clássicos. O cuidado dos desenvolvedores em adotar um estilo fotorrealista, mas que mantivesse as proporções exageradas e caricatas dos personagens mostra a dedicação da equipe a manter aspectos que tornaram o título tão memorável.
A otimização do jogo também é exímia. Ocarina of Time roda em 60 frames por segundo com nenhuma queda de quadros perceptível. A declaração da equipe de que as telas de carregamento seriam mantidas para manter a experiência do original gerou reações mistas on-line, mas não é um problema dentro do jogo. Na verdade, o jogo surpreendeu com a baixa quantidade de carregamentos e muitas transições entre grandes áreas, como entre a Pradaria de Hyrule - Hyrule Field no original - e o Lago Hylia - Lake Hylia, no original - , que não possuem interrupção alguma.
O que se foi com o tempo e o que ele trouxe de novo
Quando o remake foi anunciado, talvez a maior preocupação dos fãs fosse o que seria retirado dos jogos originais e se faria o novo jogo perder parte da alma do clássico. Felizmente, esse medo não se concretizou na maior parte do jogo.
Apesar disso, fica claro que o jogo sofreu com uma clara sanitização. Cenas que mostravam sangue não mostram mais, personagens que tinham falas com conotações sugestivas tiveram seu diálogo remodelado além de remover a maioria das menções à morte. Lembra-se do soldado localizado nas vielas do Burgo de Hyrule - Castle Town, no original - , que originalmente morria em frente ao jogador, mas agora apenas afirma que está cansado depois de avisar o jogador sobre o ataque de Ganondorf.
Parte desse repaginamento também envolveu tornar o jogo um pouco mais fácil. Esse talvez fosse o maior temor dos fãs devido à forma que a Nintendo tratou remakes anteriores - como em Majora’s Mask 3D. Nesse aspecto, algumas mudanças podem incomodar jogadores veteranos. Inimigos como os Wallmasters agora surgem com um holofote que anuncia de maneira nada sutil que eles estão se aproximando, puzzles que envolviam um limite de tempo não possuem mais essa restrição e algumas salas das dungeons foram nitidamente simplificadas. Ao mesmo tempo, a era adulta do jogo agora deixa o caminho traçado pelo jogador bem mais aberto, o que é uma mudança agradável depois de uma primeira metade com mais tutoriais do que antes.
Por outro lado, o remake tornou alguns personagens ainda mais presentes e também resolveu problemas em áreas que antes tinham uma progressão mais lenta. O templo da água talvez tenha sido o mais afetado por essas mudanças e, apesar de ainda manter o formato e a maioria das características originais, teve sua travessia facilitada por salas com desafios mais enxutos e com chefes que receberam novos golpes e estilos de luta que complementam perfeitamente o material original.
A história quase não sofreu alterações mas, pelo fato de agora existirem cenas de diálogo dublado, é importante ressaltar que a fada Navi agora tem voz bem mais ativa para compensar a falta de falas do Link, que continua mudo. No geral, o que isso afeta é que muitos NPC’s agora falam diretamente com a fada em vez de conversarem exclusivamente com o Link.
Localização em português do Brasil
Uma das surpresas mais agradáveis anunciada nos trailers do remake foi o fato do jogo estar completamente traduzido e dublado em português do Brasil. Após experienciar o jogo, dá pra dizer que a dublagem é sólida e faz um bom trabalho em dar vida a história do herói do tempo. As escolhas dos dubladores agradam e combinam com os personagens que eles representam.
Porém, a tradução de alguns trechos da história faz o jogador questionar a escolha das palavras para cada cena. O uso de termos arcaicos como “assecla” e “aia” são inesperados até para uma história que se passa em um contexto de fantasia clássica, mas se tornam ainda mais curiosos quando um mesmo personagem faz uso dessas mesmas palavras ao mesmo tempo que fala “moleque” e outras gírias modernas. No geral, apesar do estranhamento, esse aspecto dificilmente impacta no aproveitamento do jogo e serve mais para dar uma leve gargalhada ao escutar que “os asseclas de Ganondorf passaram por aqui”.
Considerações finais
The Legend of Zelda: Ocarina of Time para o Nintendo Switch 2 é uma adaptação primorosa de um jogo que já era considerado excelente. Fica nítido que os desenvolvedores reservaram o que tinham de melhor para fazer com que o remake pudesse reviver a magia que o título trouxe tanto no Nintendo 64 quanto no 3DS. Desde os personagens aos efeitos sonoros e visuais retratam a paixão pela arte e a magia intrínsecos à franquia The Legend of Zelda e sinalizam um ótimo futuro para a franquia caso a Nintendo decida continuar com remakes de outros títulos aclamados.
Nota: 10/10
The Legend of Zelda: Ocarina of Time está disponível exclusivamente para o Nintendo Switch 2.
*Está análise foi feita com uma cópia enviada pela Nintendo Brasil.
Diversão e Arte
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