
Produzido pelo estúdio chinês S-Game, Phantom Blade Zero junta elementos de jogos souls e um combate diverso para criar um estilo próprio apelidado de Kungfupunk. O jogador assume Soul, um guerreiro habilidoso com lâminas que acaba enfrentando seu irmão de combate, Zuo Shang em um duelo mortal, que termina com os dois feridos severamente no coração. Sem querer padecer antes de alcançar sua vingança, Soul aceita um coração reserva de uma criatura mística misteriosa que dá 66 dias para ele encontrar uma forma de sobreviver e matar Zuo Shang.
O mundo de Phantom Blade Zero é baseado na cultura e na mística chinesa, chamado de Wulin. Nele, existem diversas facções, criaturas mágicas, muitas artes marciais e estilos diversificados de lutas com espadas.
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Fantasia chinesa
Phantom Blade Zero segue a cartilha de Black Myth: Wukong da Game Science, primeiro com ambos sendo títulos emergentes de estúdios chineses, e segundo no sentido de uma história dispersa — com direito a animação de ambos os títulos — pegamos um bonde já em movimento, tentando entender como Soul e Zuo Shang se tornaram inimigos.
O estilo de combate do jogo é interessante, começando mais lento com o personagem sem tantas habilidades e conforme o jogador progride na história, se torna uma máquina de luta com vários inimigos ao mesmo tempo. Durante os confrontos, o personagem pode atacar, se defender e desviar. Esses últimos dois inclusive, tem uma janela sinalizada por raios de cor azul e cor vermelha, respectivamente, que se pressionados no momento correto, o jogador ganha um ataque entre os golpes dos inimigos.
Phantom Blade divide ainda algumas mecânicas com os jogos da FromSoftware com um sistema de defesa, barra de estamina — que aqui também ganha a propriedade de usar um golpe especial — , curas limitadas e até evolução de equipamento. Além claro, dos chefes desafiadores que vão colocar os jogadores para respirar fundo enquanto tentam aprender o padrão dos inimigos.
Contudo, as semelhanças acabam aí, Phantom Blade possui uma seleção de dificuldade para aqueles que não querem sofrer na mão dos chefes e diferente de títulos Souls, conforme o jogador avança pela fase e encontro um ponto de salvamento, os inimigos mortos não retornam a vida. O mesmo vale para morrer em um chefe que entrou na segunda fase de combate, quando o jogador retorna o chefe permanece na segunda fase ao invés de zerar a luta.
Arsenal extenso
O maior diferencial de Phantom Blade Zero vive no combate, esse que teve até envolvimento do astro de filmes de porradaria chineses, Donnie Yen como coreógrafo dos movimentos vistos no jogo. Contando com 55 armas diferentes, no título o jogador pode carregar até 4 simultaneamente. Duas sendo de combate e duas sendo fantasmas, com a última categoria tendo limites de uso. Soul pode utilizar diversas lâminas diferentes, algumas adquiridas através de compra, mas majoritariamente liberadas após combates contra os chefes. Cada nova espada possui uma lista única de movimentos, além da habilidade de arma. O jogador pode misturar os golpes básicos e golpes especiais com a barra de estamina ou Sha-Chi.
Um dos elementos mais importantes no jogo é como combinar essas armas no campo de batalha, um bom exemplo para entender esse equilíbrio é como funciona o sistema de escudo do jogo. Esse exemplo é um sufoco que eu mesmo passei. Alguns inimigos contam com uma barra azul no lugar da amarela em seu Sha-Chi, armas mais leves não fazem descer este escudo inimigo, ou seja, ele só pode ser danificado por armas pesadas, independente se ela for uma arma principal ou fantasma. Assim se Soul estiver carregando uma arma pesada pode danificar a barra e eventualmente destruir o escudo, e é bom ter uma no armamento equipado para evitar inimigos como o que tem uma defesa com espinhos, que inflige no protagonista o efeito de sangramento, que se chegar até o limite mata instantaneamente.
Algumas ainda contam com uma habilidade “oculta”, conforme você melhora o equipamento esse poder aparece, as adagas do ínicio, por exemplo, são capazes de dar uma investida para frente, atravessando alguns inimigos. Mais a frente, uma lâmina que utilizei muito e que tem uma habilidade até roubada é a de um chefe que o golpe especial dela suga a vida do inimigo e alimenta a barra de Soul. Contudo, vale notar, que em alguns inimigos ela não tem efeito, já que ela suga literalmente sangue, as marionetes que aparecem muito no capítulo 3 não possuem carne, logo não alimentam essa habilidade, mais um pelo toque da S-Game.
As armas fantasmas além de servirem no combate tradicional, também podem desbloquear caminhos ocultos, auxiliando na conclusão de missões secundárias e liberando caminhos para procurar itens. Esses equipamentos servem tanto para melhorar as armas de Soul, quanto para equipar um bônus no personagem, os acessórios, esses que tem diferentes efeitos, podendo tanto diminuir o dano em ambientes que contenham veneno, quanto podendo aumentar a janela de aparo e de esquiva. É bom ficar esperto na exploração para conseguir os melhores equipamentos para tornar o combate não só dinâmico, mas mais épico.
Ambientação e missões secundárias
Wulin é um lugar melancólico, os tons cinzas adotados pela direção de arte do jogo casa com um mundo que já viu dias melhores e agora está afundando em mágoas e magia maligna. Um dos momentos que mais ressoa para mim como o mundo é cruel em Phantom Blade Zero, foi uma vila que você encontra no ínicio do jogo, cheia de sobreviventes da luta contra saqueadores e ladrões, conforme você vai avançando, Soul percebe a corrupção tomando conta de vários pontos de Wulin e quando o herói retorna uma vez mais para a vila, vê que todos se tornaram homens sem rosto, dessa forma, o jogo obriga você a matá-los, já que eles são agressivos.
Uma parte importante do cenário é a atenção que o jogador deve ter priorizando como necessidade explorar o máximo que conseguir de cada região, como dito anteriormente, é preciso melhorar o armamento e habilitar os acessórios certos para tornar o combate mais dinâmico. Missões secundárias têm como recompensa alguns desses itens, nelas o jogador recebe contexto maior de como a região funcionava, com relatos e documentos. Outra missão dessas que deve ser prioridade é a busca das flores, elas estão espalhadas pelo cenário, com cada uma trazendo um detalhe sobre uma trama secundária e assim que o jogador encontra todas, Soul ganha uma melhoria na barra de vida.
Considerações finais
Phantom Blade Zero é primor em combate, soltando o jogador para utilizar o vasto arsenal do título para escolher a melhor forma de derrotar os inimigos. É impressionante como essa variedade de movimentos vista nos chefes pode ser reproduzida com o personagem principal e ser encaixada no meio das lutas. O jogo está longe de ser uma jornada fácil, principalmente nas batalhas de chefe, mas ele convida o jogador a experimentar novas armas e trocar o arsenal sem medo. O título é mais um expoente poderoso do mercado asiático que tende só a crescer e vai receber seu lugar ao sol como um dos grandes de 2026.
Nota: 9/10
Phantom Blade Zero já está disponível para PC e PlayStation 5.
*Está análise foi feita com uma cópia enviada pela PlayStation Brasil para o PlayStation 5.
Diversão e Arte
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