Crítica

Leia crítica de "Argylle: O superespião", estrelado por Bryce Dallas Howard

Num roteiro completamente sem pé nem cabeça, a cargo de Jason Fuchs (de Peter Pan), tramoias se avolumam, confundindo até o mais atento espectador

Argylle — O superespião: reviravoltas empilhadas e sem o menor sentido ou graça -  (crédito:   universal)
Argylle — O superespião: reviravoltas empilhadas e sem o menor sentido ou graça - (crédito: universal)
postado em 02/02/2024 08:03 / atualizado em 05/02/2024 11:06

Crítica // Argylle: O superespião #

Diretor de filmes que brincavam com clichês, entre os quais Kingsman: serviço secreto e Kick-ass: quebrando tudo, Matthew Vaughn parte de um universo extremamente artificial em que os robóticos personagens de Dua Lipa e Henry Cavill parecem buscar protagonismo, ao som de You're the first, the last, my everything, numa soturna pista de dança. Num alívio, o espectador é avisado de que a premissa ilustrada na tela está na cabeça da escritora Elly (Bryce Dallas Howard, a rainha dos filmes questionáveis como A dama da água). Numa inexplicável heresia, o filme de qualidade pífia traz na trilha sonora (a "recente") criação dos Beatles Now and then.

Considerada "uma máquina", dada a perfeição com que cria enredos de espionagem, a partir de muita pesquisa, Elly abraçará uma realidade paralela. Num roteiro completamente sem pé nem cabeça, a cargo de Jason Fuchs (de Peter Pan), tramoias se avolumam, confundindo até o mais atento espectador.

Num galope desmedido, uma ação tenta trazer maior exagero do que a anterior e as reviravoltas se impõem em ritmo frenético. No fundo, a perseguição à escritora está em curso, e envolve a entidade chamada Divisão. Depois da lavagem cerebral, Elly se relacionará com volume inimagináveis de personagens sem sentido, e que enfileira talentos de Catherine O'Hara, Bryan Cranston, a ganhadora do Oscar Ariana DeBose e Samuel L. Jackson, que interpreta Alfie (o mesmo nome do gato de estimação de Elly).

Um humor esquisito, que acolhe uma cena de patinação em rio de petróleo (?!) e o encorajamento para que "crânios humanos, extremamente frágeis" (dos adversários) sejam pisoteados (?!), dão ideia do terreno bizarro do filme. Nesse emaranhado irracional que funde realidade com o que é escrito pela protagonista (a caminho da publicação do quinto livro), a única presença que se salva é Sam Rockwell que interpreta Aidan, um leitor mais do que especial da série de livros estrelados por Argylle.

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