
Há um ano, o artista Daniel Toys começou uma investigação plástica que envolve novos conceitos e novas técnicas. O trabalho ganhou corpo em pinturas e esculturas que agora integram a exposição O que nos habita — Uma cartografia afetiva de Daniel Toys, em cartaz na Galeria Rubem Valentim, no Espaço Cultural Renato Russo, até 27 de setembro. "Comecei a trabalhar numa fase experimentando novos sentimentos. É uma fase em que estou amadurecendo muito meu trabalho. Saio um pouco da rua, apesar de ser urbano, e venho com uma fase de artista plástico", explica Toys, cujo nome começou a ganhar destaque graças aos grafites realizados pelas ruas de Brasília. "Estou preocupado com minha técnica e com o resultado estético, mas estou muito mais preocupado com a narrativa, com a força por trás da técnica", avisa o artista, para quem o domínio técnico é uma ferramenta para explorar as próprias emoções e sentimentos.
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O que nos habita é um convite para o público explorar a própria intimidade em busca de memórias afetivas. As paisagens dominam as obras de Toys na exposição. "Só que são paisagens de um momento muito intimista meu, construo as paisagens dentro das minhas memórias afetivas, das minhas experiências pessoais como pessoa criança ou adulto", avisa. Nessas paisagens, o artista insere ícones pelos quais sua produção é conhecida, como o sol, a pipa, a escada e a casinha. Ele quer, por meio das próprias referências afetivas, instigar no público reflexões sobre a capacidade e a importância de sonhar. "Porque, ao longo de nossa caminhada, a gente abandona muitos sonhos, então é um convite para gerar essas reflexões", diz. "A questão do sonho é um lema que carrego no meu trabalho, a ideia de entrar dentro da gente e ver quais sonhos a gente abandonou, abordar a nossa essência e o que faz florescer nosso coração."
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A exposição reúne mais de 30 obras, entre esculturas, desenhos e pinturas, sendo estas últimas realizadas com técnica mista, spray, tinta acrílica e folha de ouro. Além das paisagens, Toys também traz os personagens pelos quais ficou conhecido, caso do Toyzim, cujos contornos geométricos viraram ícone da arte urbana brasiliense, e Amanda Carú, inspirada na noiva do artista. A casa e a escada são outras figuras frequentes na produção do artista e cuja simbologia ele gosta sempre de levar para as pinturas. "A casa é nosso paraíso, lugar de segurança onde a gente pode sonhar, e a escada, nosso caminho, nossa subida para os sonhos, uma metáfora da nossa vida, da nossa busca", explica o artista, que encara cada degrau como uma meta, uma conquista. Nessa sequência, os degraus tortos são importantes para representar a inconstância natural da vida. "O sol, que nasce para todos nós e vem para iluminar nossos caminhos, também está lá, além do ipê, como representação do nosso cerrado, essa árvore mágica", avisa Toys.

Diversão e Arte
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