
Pelo menos 40 perfis em redes sociais passaram a promover ataques simultâneos contra o Banco Central e investigadores envolvidos no caso Master, em uma ofensiva digital marcada por publicações coordenadas e narrativas distorcidas sobre a atuação do regulador.
O movimento ganhou força nas últimas semanas e se intensificou em meio à disputa jurídica travada no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU) entre os advogados do banco e os órgãos de investigação.
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Influenciadores passaram a disseminar conteúdos com críticas à atuação do BC e questionamentos à decisão que resultou na liquidação da instituição financeira.
Um dos aspectos que chamam a atenção é o perfil dos influenciadores mobilizados. Boa parte deles atua em páginas de entretenimento e fofoca, sem histórico de produção de conteúdo ligado a temas econômicos, financeiros ou regulatórios. A escolha desse tipo de canal sugere uma tentativa de ampliar o alcance da narrativa para além do público especializado, explorando audiências massivas e pouco familiarizadas com os detalhes técnicos do caso.
Entre os perfis envolvidos está a página Alfinetei, que reúne 25,3 milhões de seguidores no Instagram. O perfil integra um grupo de páginas de entretenimento que participou da ofensiva coordenada contra o Banco Central no fim de dezembro, período em que a liquidação do Banco Master dominou o noticiário. A página é vinculada a ao menos cinco empresas formalmente registradas e a uma rede de perfis que, somados, alcançam cerca de 40 milhões de seguidores.
O Alfinetei publica conteúdos de alto alcance que mesclam política, temas institucionais e fofocas sobre celebridades. Muitas das postagens são acompanhadas do selo de divulgação de uma casa de apostas, identificada na biografia do perfil como embaixadora da página. O cruzamento entre entretenimento, publicidade e temas sensíveis da política econômica despertou desconfiança inclusive entre internautas, que passaram a questionar a credibilidade das informações nos campos de comentários.
Outros perfis citados na ofensiva incluem o Divas do Humor, com 5,2 milhões de seguidores, e a página Festa da Firma, voltada ao humor corporativo, que soma cerca de 1,9 milhão de seguidores. Em comum, todos apresentam grande capacidade de engajamento e audiência ampla, características exploradas para amplificar críticas ao regulador.
Alvos
Os ataques têm como alvos diretos autoridades e técnicos do Banco Central, entre eles o presidente do BC, Gabriel Galípolo, o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Gomes — responsável pela área técnica que recomendou o veto à compra do Banco Master pelo BRB —, o diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino Santos, além de banqueiros e representantes de associações do setor financeiro.
A ofensiva digital, marcada pelo uso de perfis de grande alcance e pouco ligados ao debate econômico, levanta questionamentos sobre tentativas de descredibilização institucional e sobre o uso coordenado das redes sociais como instrumento de pressão política e reputacional em um dos casos mais sensíveis do sistema financeiro recente.
“Volume atípico de postagens”
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou, em nota, que detectou, no fim de dezembro, um “volume atípico de postagens” nas redes sociais com menções à entidade e a seus representantes.
No período apurado, instituições e autoridades envolvidas no caso passaram a ser alvo de ataques nas redes sociais às vésperas da virada do ano. A ação, concentrada em cerca de 36 horas, utilizou perfis conhecidos por impulsionar conteúdos de celebridades para questionar a credibilidade de órgãos como o Banco Central e a própria Febraban.

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