
O bitcoin registrou queda acentuada nesta quinta-feira (5/2) e passou a ser negociado abaixo de US$ 70 mil pela primeira vez desde a eleição de Donald Trump, em novembro de 2024. Por volta das 16h, a criptomoeda era cotada a US$ 66.037, com recuo de 10,48% no dia. Mais cedo, às 9h, o ativo já operava em baixa de 3,26%, a US$ 70.256, em um movimento associado à redução do interesse dos investidores por ativos considerados de maior risco.
Segundo o economista e sócio da Valor Investimentos Davi Lelis, a queda se intensificou após o rompimento de um patamar considerado relevante pelo mercado. “O bitcoin está caindo quase 10% no dia de hoje, quase 28% no ano de 2026 e, desde as máximas, já acumula uma queda próxima de 50%”, afirmou. De acordo com ele, a perda desse nível de preço alterou o posicionamento dos investidores e contribuiu para a aceleração das vendas.
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Entre os fatores apontados para o movimento está a frustração com a política dos Estados Unidos em relação às criptomoedas. Lelis afirmou que parte do mercado esperava compras diretas por parte do governo norte-americano após o anúncio de uma reserva estratégica envolvendo ativos digitais.
“As pessoas compraram no boato e venderam no fato. O mercado foi surpreendido ao ver que o governo estava confiscando reservas, e não comprando, o que frustrou expectativas e levou à venda de ETFs (fundos de investimento negociados na bolsa de valores que buscam replicar o desempenho de um índice de referência) lastreados em Bitcoin”, disse.
Outro elemento citado foi a mudança nas expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos. Segundo o economista, a possível indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve reforçou a perspectiva de cortes de juros acompanhados de aperto de liquidez. “Mesmo com cortes, há sinalização de quantitative tightening (política monetária contracionista onde bancos centrais reduzem a liquidez na economia vendendo ativos financeiros), o que pressiona ativos de risco, como o bitcoin”, afirmou.
O movimento de aversão ao risco também foi ampliado pela queda das ações de grandes empresas de tecnologia. De acordo com Davi Lelis, dados de emprego mais fracos nos Estados Unidos e revisões sobre o impacto da inteligência artificial (IA) provocaram correções no setor, incentivando a migração de recursos para títulos do Tesouro americano. “Houve uma fuga global para ativos considerados mais seguros, e o bitcoin acabou sendo arrastado por esse fluxo”, avaliou.
“Existe também um efeito manada muito forte, com investidores vendendo porque outros estão vendendo, e também a liquidação de posições alavancadas”, afirmou. Segundo ele, a combinação de alavancagem elevada e alta volatilidade contribuiu para uma sequência de liquidações automáticas, intensificando a queda observada ao longo do dia.
*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro
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