
O rombo das contas do governo central – que inclui Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social – somou R$ 53,3 bilhões, em maio. Esse dado representa aumento de 26,3%, em termos reais (descontada a inflação), ao saldo negativo contabilizado no mesmo mês de 2025, de R$ 40,2 bilhões, conforme dados divulgados, nesta segunda-feira (26/6), pelo Tesouro, órgão ligado ao Ministério da Fazenda.
Esse resultado representa a diferença entre os gastos e a receita primária do governo federal e, quando está deficitário, é sinal de que o governo segue gastando mais do que arrecada. O saldo negativo de maio foi pior do que o esperado pelo mercado, pois a mediana das expectativas da pesquisa Prisma Fiscal, realizada pela Fazenda, apontava para um rombo de R$ 46,5 bilhões no período.
O resultado conjunto do Tesouro e do Banco Central foi superavitário em R$ 7,4 bilhões, enquanto o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) apresentou um deficit de R$ 60,7 bilhões, dado 3,1% superior ao saldo negativo de R$ 56,1 bilhões do mesmo período de 2025.
Com esse resultado, as contas públicas divulgadas pelo Tesouro seguem evidenciando o descompasso entre as despesas e as receitas, o que dificulta a retomada do equilíbrio fiscal. Enquanto a receita líquida cresceu 5,5% em maio deste ano, em termos reais na comparação com o mesmo período de 2025, para R$ 197,9 bilhões, as despesas apresentaram aumento real de 9,4%, para R$ 251,2 bilhões, na mesma base de comparação.
Os dados do Tesouro mostram as despesas discricionárias cresceram R$ 16,7 bilhões apenas em maio e foram o que mais pesaram nesse resultado negativo, representando um salto de 128,6% na comparação com o mesmo período de 2025, conforme os dados do órgão ligado à Fazenda.
Rombo acumulado no ano
No acumulado do ano, o rombo fiscal do governo central chegou a R$ 44,4 bilhões revertendo o superavit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública) de R$ 32,9 bilhões contabilizados no mesmo período do ano passado.
Conforme os dados do Tesouro, no acumulado de janeiro a maio, o descompasso entre gastos e receitas foi maior. As despesas cresceram 13% acima da inflação, em termos reais, para R$ 1,118 trilhão, o que representou um incremento de gastos da ordem de R$ 128,9 bilhões. As despesas que mais impulsionam esse aumento foram os benefícios previdenciários, que avançaram 9,5%, para R$ 493,9 bilhões, no acumulado de janeiro a maio; e os gastos com pessoal e encargos, que tiveram um incremento de 11,9%, para R$ 179 bilhões, no mesmo período.
O deficit primário do governo central acumulado de janeiro a maio representou 0,80% do Produto Interno Bruto (PIB), e portanto, está acima do limite da meta fiscal que prevê um piso de deficit zero, sendo que o centro da meta é de um superavit primário de R$ 34,3 bilhões, o equivalente a 0,25% do PIB.
Em maio, o governo anunciou um bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões no Orçamento deste ano para conseguir cumprir a meta fiscal deste ano, mesmo já considerando os descontos previstos em lei. Somando esse valor ao bloqueio anterior, de R$ 1,6 bilhão, anunciado em março, o bloqueio total soma R$ 23,7 bilhões.
O resultado primário acumulado em 12 meses até maio somou um rombo fiscal de R$ 142,3 bilhões, o equivalente a 1,06% do PIB, dado que não deixa de ser preocupante, pois o governo só conseguirá cumprir a meta fiscal se continuar fazendo descontos de gastos da meta do arcabouço, o que não impedirá que a dívida pública bruta continue aumentando.
Pelas projeções da Instituição Fiscal Independente (IFI), que revisou de 1,7% para 2% a previsão de crescimento do PIB deste ano, o cenário não é nada animador para as contas públicas, pois há grandes chances de elas continuarem no vermelho até 2036, considerando o cenário base das projeções da entidade, que leva em conta um crescimento do PIB de 2,3% nos próximos anos.
De acordo com a IFI, o governo precisará gerar um superavit primário de 2,1% do PIB, a cada ano, para conseguir estabilizar a relação dívida/PIB que deverá continuar aumentando devido ao acúmulo de rombos fiscais ano a ano, que acabam comprometendo o afrouxamento da política monetária do Banco Central.
“A partir do nível do endividamento bruto de 80,1% do PIB, realizado em abril de 2026, a IFI espera um crescimento dessa relação para 82,5%, em 2026, alcançando 102% do PIB, em 2032, e aumentando para 115% do PIB em 2036. Trata-se de um nível de endividamento extremamente elevado para uma economia emergente”, alertou o relatório da IFI, entidade ligada ao Senado.
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