ATIVIDADE ECONÔMICA

Varejo em queda há 14 meses: veja onde o consumidor ainda gasta

Índice Cielo mostra recuo de 1,4% em julho; enquanto duráveis caem, supermercados e farmácias avançam com gastos mais seletivos dos brasileiros

Consumidora observa calçados em loja, refletindo a queda do varejo de bens duráveis no Brasil -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
Consumidora observa calçados em loja, refletindo a queda do varejo de bens duráveis no Brasil - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

O varejo brasileiro registrou uma queda real de 1,4% em julho, já descontada a inflação. O resultado marca o 14º mês consecutivo de retração do setor, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O último avanço havia ocorrido em maio de 2025, com alta de 1,4%.

O desempenho de julho de 2026 foi o pior para o mês desde 2020. Nos anos anteriores, o varejo havia crescido 7,2% em julho de 2021 e 0,7% em 2022. Em seguida, iniciou uma sequência de quedas: 0,8% em 2023, 1,3% em 2024 e 0,8% em 2025.

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Consumo recorrente resiste

A retração não se manifestou de forma uniforme. Em um cenário de maior seletividade do consumidor, os bens não duráveis, que incluem itens de consumo recorrente, avançaram 1,7% em termos reais. Por outro lado, bens duráveis e semiduráveis recuaram 4,8%, enquanto o setor de serviços teve queda de 6,3%.

Supermercados, hipermercados, drogarias e farmácias foram os principais destaques positivos. Na direção contrária, vestuário, artigos esportivos, materiais para construção, turismo, transporte, bares e restaurantes registraram as maiores pressões negativas.

“Os dados de julho mostram um consumidor mais seletivo. As compras continuam acontecendo, mas categorias ligadas a necessidades mais recorrentes apresentam maior resistência”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.

E-commerce avança mais

O comércio eletrônico cresceu 9,7% em termos nominais na comparação com julho de 2025. No mesmo período, o varejo físico avançou 1,3%. Os números mostram que o consumidor encontra no ambiente digital mais facilidade para pesquisar e comparar preços.

Desempenho por região

O Norte foi a única região do país a apresentar crescimento real, com alta de 1,7%. As demais registraram retração: Nordeste (-1,2%), Sul (-1,5%), Sudeste (-2,2%) e Centro-Oeste (-3,1%).

Entre os estados, os maiores avanços ocorreram em Amapá (5,4%), Rondônia (4,4%) e Acre (2,8%). As quedas mais acentuadas foram observadas no Rio Grande do Norte (-4,3%), Distrito Federal (-3,6%) e Mato Grosso (-3,4%). Mesmo no Sudeste, o comportamento foi distinto, com o Rio de Janeiro em queda de 2,8% e Minas Gerais em alta de 1,4%.

A composição da inflação ajuda a entender o cenário. A prévia oficial, o IPCA-15, registrou variação de 0,06% em julho, mas com alta de 3,0% na energia elétrica residencial e recuo de 0,7% em alimentação e bebidas. Essa dinâmica pode limitar o espaço no orçamento doméstico para gastos não essenciais.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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postado em 13/08/2026 15:13 / atualizado em 13/08/2026 15:13
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