Agronegócio

Centro-Oeste lidera produção agrícola

Segundo IBGE, região produziu R$ 288 bilhões em 2025. Especialistas atribuem alta a investimento em pesquisa no Cerrado

ECO-Produção agrícola -  (crédito: Valdo Virgo)
ECO-Produção agrícola - (crédito: Valdo Virgo)

A produção agrícola brasileira atingiu valor recorde de R$ 927,2 bilhões, no ano passado, com crescimento de 18,4%, em termos nominais (sem considerar a inflação), em relação a 2024. De acordo com os dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM 2025) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas foi de 345,4 milhões de toneladas em 2025, com crescimento de 53,4 milhões de toneladas, também representando um recorde da série histórica.

A pesquisa, divulgada na última quinta-feira (17), mostra que a região Centro-Oeste superou a região Sudeste e se consolidou em primeiro lugar no valor de produção agrícola. "Em relação ao valor total da produção, de novo, entre as grandes regiões o Centro-Oeste apresentou o maior valor total de produção, com crescimento de 31,8%, voltando ao primeiro lugar, que foi ocupado pelo Sudeste em 2024. Este ano o Sudeste está em segundo lugar, depois vem Sul, Nordeste e Norte", explicou Henrique Noronha, coordenador da pesquisa. A queda de 23,4% no valor da laranja, no ano passado, contribuiu para que a região Sudeste perdesse o primeiro lugar.

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Segundo o IBGE, contribuíram para o crescimento do Centro-Oeste, com produção total de R$288 bilhões, o aumento de área, a quantidade e o valor da produção de soja, milho e algodão em 2025.

Para o economista da Paribu Finanças, Jadson Xavier, o bom desempenho da região é explicado pelos investimentos feitos, ao longo dos anos, em pesquisas voltadas para a produção agrícola. O especialista recorda que, desde a criação da Unidade da Embrapa Cerrados, no ano de 1975, a região vem colhendo os frutos dos resultados dessas pesquisas.  "Vale lembrar que mais de 50% da produção de cereais brasileira estão na região Centro-Oeste e chegam a 90% se juntar com os municípios que estão no cerrado, mas fora da região", frisou.

Entre as 27 unidades da federação, o Mato Grosso manteve-se na primeira colocação no ranking de valor de produção agrícola, com expansão de 37,1% no valor de produção agrícola, consolidando sua participação nacional para 17,9%. Para o levantamento, a guerra tarifária entre Estados Unidos e China, em 2025, fez com que o país oriental tenha aumentado a procura pelo grão de soja do Brasil, mantendo os preços internos da commodity estáveis ao longo dos últimos meses do ano.

Dos 10 municípios com os maiores valores de produção agrícola, em 2025, oito são da Região Centro-Oeste. Juntos, eles geraram R$ 65,9 bilhões, concentrando 7,1% do valor obtido no país com a produção agrícola. Cinco desses municípios estão no Mato Grosso, e três, em Goiás. O Ranking é completado pela Bahia, com dois municípios.

A cidade que liderou o ranking foi Sapezal (MT), que registrou R$ 8,6 bilhões em produção, aumento de 46,6% na comparação com o ano anterior. O município, que desbancou a cidade de Sorriso (MT) — que caiu para o terceiro lugar—, destacou-se na produção de algodão herbáceo, obtendo o maior valor gerado com o produto. 

Segundo o relatório, o que explica essa mudança foi a criação do Município de Boa Esperança do Norte (Mato Grosso), em 2025. Esse município foi constituído com terras de Sorriso (20%) e de Nova Ubiratã (80%). Ou seja, parte da produção foi dividida com o novo município.

O advogado especialista em direito do agronegócio, Leandro Marmo, disse que, apesar de economicamente vantajoso e prova da eficiência e da competitividade alcançadas pelo Centro-Oeste, existe um risco de concentração dos municípios no Centro-Oeste.

Para o especialista, essa concentração (80%) torna o agronegócio mais exposto a choques regionais. Segundo ele, uma seca severa, um excesso de chuvas, problemas logísticos, incêndios, pragas ou restrições de crédito no Centro-Oeste podem afetar simultaneamente uma parcela relevante da produção nacional. 

Além disso, Marmo ressalta que a dependência de poucas culturas — especialmente soja, milho e algodão — também aumenta a exposição às oscilações das commodities, do câmbio e da demanda internacional.

"O problema é que o crescimento pode se tornar mais vulnerável e menos distribuído. A concentração também evidencia a necessidade de diversificar a produção, ampliar a industrialização regional, fortalecer o seguro rural, melhorar a infraestrutura e criar mecanismos de gestão de risco. Um agronegócio forte não deve apenas produzir mais, mas também distribuir melhor a renda e resistir a choques climáticos e financeiros", concluiu.

Culturas

A  PAM 2025 mostra que 2025 foi marcado pelo aumento produtivo nas culturas de soja e milho, que juntas responderam por 88,7% da produção de grãos do Brasil, com crescimento da produtividade média das lavouras. Considerando todas as culturas levantadas na pesquisa, o Brasil totalizou 101,3 milhões de hectares de área plantada. O número representa uma ampliação de 4,1 milhões de hectares em relação ao ano anterior, ou 4,2%. 

Entre os produtos em destaque, a soja lidera o crescimento com mais de 1,7 milhão de hectares da área, seguida pelo milho (995,2 mil hectares) e o sorgo, com aumento de 203,4 mil hectares.

A área colhida totalizou 100,6 milhões de hectares, 4,4% superior à safra anterior. O crescimento se deve à produção de soja, que registrou um acréscimo de 3,7%, com 47,6 milhões de hectares colhidos, e responde por 47,3% da área agrícola colhida no país.Em contrapartida, houve uma retração significativa nas áreas colhidas de feijão (-7,2%) e trigo (-13,9%) em virtude dos preços não atrativos ao produtor no período de plantio dessas culturas. 

A pesquisa revela que, no ranking de valor de produção, os cinco principais produtos foram a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o café e o algodão herbáceo (em caroço). Comparado a 2024, o milho e a cana-de açúcar inverteram suas posições. Os resultados variaram na comparação entre 2024 e 2025: soja (21,1%), milho (38,9%), cana-de-açúcar (3,6%), café (44,7%), algodão (29,50%).

O país manteve-se na posição de  maior produtor e exportador global de soja, mesmo com os preços da commodity de maior produtor e exportador global de soja.  A safra em 2025 foi de 165,3 milhões de toneladas, avanço de 14,4% frente ao ano anterior.

A área plantada do país, considerando todas as culturas levantadas na PAM 2025, totalizou 101,3 milhões de hectares. O número representa uma ampliação de 4,1 milhões de hectares em relação ao ano anterior, ou 4,2%

 


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CY
postado em 18/09/2026 23:43
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