MUNDIAL DE MARCHA ATLÉTICA

Quem pode parar Caio Bonfim no Mundial na Esplanada?

Caminho do melhor marchador do Brasil na meia-maratona do megaevento por equipes no domingo (12/4) se cruza com os de outros campeões e recordistas, como o japonês Toshikazu Yamanishi e o canadense Evan Dunfee

O desafio está posto para o anfitrião Caio Bonfim: a estreia da meia-maratona no Mundial de Marcha por Equipes, na Esplanada dos Ministérios, na manhã de domingo (12/4), reúne dois recordistas mundiais — ambos campeões recentes do Mundial de Atletismo —, além de dois dos três medalhistas da última prova de 20km por equipes e outros nomes de peso da modalidade.

Caio Bonfim pisará na Esplanada dos Ministérios como medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Paris-2024 e campeão mundial em 2025. Colocá-lo entre os candidatos ao pódio é quase natural. Aos 35 anos, sustenta-se na regularidade, na experiência e na capacidade de crescer ao longo de provas desse nível. Competir em casa, em um evento internacional, é a cereja do bolo. Nesta temporada, o marchador de Sobradinho tem como melhor marca 1h21min44s, registrada na meia-maratona de Kobe, no Japão — prova em que o anfitrião Toshikazu Yamanishi estabeleceu o recorde mundial, com 1h20min34s. O brasileiro também foi prata em Taicang, com o tempo de 1h23min.

Bicampeão mundial dos 20km e medalhista olímpico de bronze em Tóquio-2020, Yamanishi se apoia no histórico recente de protagonismo em grandes competições. É o tipo de marchador que alia a eficiência técnica à capacidade de sustentar ritmo elevado ao longo de toda a prova. Pode pesar contra ele um resultado atípico: o 28º lugar no Campeonato Mundial de Atletismo de 2025, em casa. Na ocasião, brigava pela liderança, mas pecou pelo excesso e perdeu o controle técnico, o que resultou em uma punição de dois minutos e o fez despencar na classificação.

Hannah Peters/Getty Images/World Athletics - O japonês Toshikazu Yamanishi é recordista mundial

A força de Yamanishi não é isolada. Quatro dos dez melhores do ranking mundial dos 20km são japoneses, reflexo de uma escola consolidada, competitiva e favorita ao título, que não vem desde 2018. O bicampeão mundial conta com o apoio de um grupo experiente e com resultados expressivos, como Kento Yoshikawa, medalhista de prata asiático e sétimo colocado no Mundial de 2025; Tomohiro Noda, sexto nos 35km no Mundial de 2023; e Satoshi Maruo, quarto colocado nos 50km no Mundial de 2017.

Outro ponto de atenção para Caio Bonfim é a Espanha. O país aposta na equipe sustentada por Paul McGrath e Diego García Carrera, medalhistas dos 20km na última edição do campeonato, além da presença de Álvaro Lopez e do campeão mundial de 2015, Miguel Ángel López.

Na Itália, o principal nome é Francesco Fortunato, medalhista de bronze europeu e campeão do revezamento misto na última edição do Mundial por equipes. O marchador de 31 anos iniciou a temporada em alta ao estabelecer o recorde mundial dos 5.000m, com 17min54s48. Ele terá como parceiro Gianluca Picchiottino, que terminou em 12º lugar nos 20km na edição anterior.

A China é outra força coletiva na prova. O quarteto formado por Zhao Xiangfei, Zhang Xinrui, Ding Shuo e Cui Lihong chega com marcas consistentes, todas abaixo de 1h24min, registradas recentemente em Taicang. Se mantiverem esse padrão em Brasília, entram como fortes candidatos ao pódio por equipes.

Campeão mundial e líder do ranking dos 35km, Evan Dunfee pode alavancar o Canadá. Embora esteja em recuperação de uma lesão sofrida na pré-temporada e ainda busque a melhor forma, a experiência e o histórico competitivo mantêm o canadense de 35 anos como um dos nomes mais relevantes na disputa.

Comitê Olímpico Canadense - O canadense Evan Dunfee se caracteriza pela resistência

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O Mundial de Marcha Atlética por equipes no Distrito Federal reúne provas em diferentes distâncias e categorias. No programa, estão a maratona masculina e feminina (42,195km) e a
meia-maratona masculina e feminina (21,1km), além das disputas de 10km para atletas da categoria sub-20 dos dois gêneros.

Na classificação por equipes, o resultado é definido pela soma das colocações dos atletas de cada país — quanto menor a pontuação, melhor o desempenho. Nas provas adultas, cada país pode ter até cinco atletas, mas apenas os três melhores pontuam. Vence quem tiver o menor total. Nas disputas sub-20, a pontuação considera os dois melhores entre os três marchadores de cada seleção. Paralelamente, cada prova também conta com pódio individual, premiando os marchadores mais bem colocados.

Se uma equipe não conseguir completar a prova com o número mínimo de atletas pontuando, os integrantes seguirão valendo apenas para a classificação individual e com possibilidade de conquistar medalhas nessa disputa. Em caso de empate entre equipes, o critério de desempate favorece aquela cujo último atleta pontuador tenha terminado mais bem colocado.

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