
A Seleção Brasileira de Carlo Ancelotti se apresentará na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), em 27 de maio, para iniciar a preparação para a Copa do Mundo na América do Norte. Nem todos os 26 convocados, porém, estarão reunidos na data estipulada. Dois titulares absolutos se atrasarão e perderão o amistoso de despedida do país, no dia 30, contra o Panamá no Maracanã, mas por motivo nobre. Dupla de zaga preferida do treinador italiano para a caça ao hexa, Marquinhos e Gabriel Magalhães defenderão Paris Saint-Germain e Arsenal na final inédita da Champions League, em 30 de maio, na Puskás Aréna, em Budapeste.
Marquinhos conquistou o direito de sonhar com o bicampeonato consecutivo da Champions ao praticamente neutralizar o poderoso ataque do Bayern. Os alemães chegaram à semifinal com 174 gols em 51 partidas na temporada. O sistema defensivo parisiense só não foi perfeito porque Harry Kane aproveitou um descuido nos acréscimos para empatar por 1 x 1. Ousmane Dembélé havia aberto o placar aos três minutos. A igualdade bastou porque o PSG venceu a ida por 5 x 4. O clube francês disputará a terceira final continental em seis anos — todas com Marquinhos em campo, inclusive a derrota justamente para o Bayern, em 2020.
Campeão simbólico da primeira fase, com vitórias nos oito jogos, o Arsenal disputa a segunda final de Champions League da história após despachar o Atlético de Madrid. Na anterior, em 2005/2006, perdeu para o Barcelona quando o principal elo brasileiro dos Gunners era o volante Gilberto Silva. Agora, Gabriel Magalhães pode ajudar o clube inglês a romper a barreira continental em um cenário mais aberto a ineditismos depois dos sucessos recentes de Manchester City (2023) e PSG (2025). O técnico Mikel Arteta ainda conta com o atacante Gabriel Martinelli
Porém, no retrospecto geral, o cenário segue cruel para quem não ostenta taça. Entre 1997 e 2023, apenas Chelsea e Manchester City conquistaram a Champions League pela primeira vez. O título recente do PSG reforçou a mudança de panorama em uma competição historicamente dominada pelos mesmos vencedores.
Embora ostentem grandes defensores, PSG e Arsenal seguem caminhos distintos. O mantra do time francês passa pela marcação alta, pressão constante e verticalidade para manter a bola distante da própria área. A consequência aparece nos números: são 44 gols marcados em 16 jogos nesta edição da Champions League.
O Arsenal prefere um jogo de maior controle e proteção defensiva. Não por acaso, ostenta a retaguarda menos vazada do torneio, com apenas seis gols sofridos — contra 22 do PSG.
Com a atuação desta quarta-feira (6/5), Marquinhos se tornou o brasileiro com mais partidas na história da Champions League. Agora, soma 121 jogos, um a mais do que o ex-lateral Roberto Carlos. Recordista e capitão, adota discurso cauteloso para a decisão.
"A gente não pode cair nesta armadilha (de favoritismo). Para ser sincero, o Arsenal, no ano passado, jogamos contra eles (na semifinal) e foi um dos times mais difíceis que jogamos, um dos confrontos mais difíceis. É um time que sabe muito bem jogar contra a gente, contra esse estilo de jogo nosso e do Bayern", analisou à TNT Sports.
Gabriel Magalhães agora direciona as atenções para a Premier League. O clube de Londres tem a possibilidade de faturar o título inglês antes da decisão da Liga dos Campeões. Na era moderna das duas disputas, de 1992 para cá, apenas Manchester City (2023) e United (2008 e 1999) unificaram as conquistas.
A história do principal torneio da Europa mostra como zagueiros brasileiros costumam ser decisivos em campanhas vitoriosas. Marquinhos foi irretocável para conduzir o PSG ao primeiro título continental da história, na temporada passada, diante da Internazionale. O elenco parisiense também tinha — e ainda tem — o ex-são-paulino Lucas Beraldo.
Eles entraram para uma lista de beques marcantes, como o brasiliense Lúcio na Internazionale de 2010. Thiago Silva foi o pilar do bicampeonato do Chelsea em 2021. Antes dele, David Luiz abriu caminho nos Blues em 2012. No ano seguinte, Dante integrava o avassalador Bayern. Edmílson participou do quarto título do Barcelona em 2006, justamente contra o Arsenal. A seleção ainda passa por Roque Júnior no Milan (2003), Celso Santos no Porto (1987) e Éder Militão no Real Madrid (2022 e 2024).
Saiba Mais
Victor Parrini - Correio Braziliense
RepórterNa editoria de Esportes do Correio Braziliense desde 2021, cobriu presencialmente os Jogos Olímpicos de Paris-2024, Copa América, Libertadores e Seleção Brasileira. É formado em jornalismo e em gestão pública pelo Centro Universitário Estácio de Brasília.

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