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Aprendizado mão na massa é tendência no ensino; veja como funciona

A chamada cultura maker, de levar para o cotidiano a aprendizagem acadêmica, pode contribuir para a formação de estudantes mais críticos, participativos e capazes de investigar e solucionar problemas

Isabela Costa
postado em 27/09/2026 00:00
Izabella e Santiago com os professores Paulo Ferrari e Frederico Lara: estímulo para o aprendizado
 -  (crédito:  Ed Alves/CB/D.A Press)
Izabella e Santiago com os professores Paulo Ferrari e Frederico Lara: estímulo para o aprendizado - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Aprender nem sempre significa apenas ouvir uma explicação, fazer anotações e responder a exercícios. O ensino baseado na experiência pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades que vão além do conteúdo. Para a pedagoga e professora da Universidade Católica de Brasília (UCB) Rafaela Marques, colocar o estudante em contato com a prática favorece a consolidação do conhecimento. "É notório que assimilamos muito mais quando estamos colocando em prática os conhecimentos trabalhados. Afinal, aprendemos fazendo", afirma. Segundo a especialista, esse tipo de abordagem pode estimular autonomia, convivência em grupo e resolução de problemas.

Rafaela reforça que experiências práticas podem preparar os estudantes para desafios que ultrapassam a vida escolar. A chamada cultura maker pode contribuir para formar alunos mais críticos, participativos e capazes de investigar e solucionar problemas. A especialista destaca que, com o avanço tecnológico, cabe à escola aproximar conhecimentos teóricos e práticos. Nesse processo, o estudante deixa de ter uma postura apenas passiva diante do conteúdo e passa a participar de sua construção.

Na Swiss International School Brasília (SIS), o conteúdo também é trabalhado por meio de experiências em que os estudantes precisam criar, testar, investigar e encontrar soluções. A proposta aparece em diferentes momentos da rotina escolar e busca colocar o aluno como participante do processo de aprendizagem. 

Para o professor de física e coordenador do ensino médio, Paulo Ferrari, a estrutura das aulas prevê esse envolvimento. "A SIS tem uma estrutura de aula já pensada em ter parte prática dos alunos", explica. Segundo ele, mesmo nas atividades teóricas, os estudantes são estimulados a investigar e trabalhar por conta própria. "A ideia é que, mesmo nos 50 minutos de cada aula, a maior parte do tempo seja o aluno trabalhando por conta própria, fazendo investigação, vendo como as coisas funcionam. Isso é crucial, é parte da didática da escola."

A prática também aparece fora da grade curricular, em iniciativas como os clubes de ciências e de debates e a feira do método científico. Nesses espaços, os alunos participam da criação e da execução das atividades. "Os professores direcionam, mas é um aluno que gerencia a execução e o interesse dentro daquilo que a gente oferece", detalha Paulo.

O professor de matemática e tecnologia da informação (TI) Frederico Lara reforça que esse contato com a prática faz parte da rotina dos estudantes desde os primeiros anos. "Desde pequenos, os alunos produzem projetos para colocar o conhecimento deles de uma forma prática", conta.

Nas aulas de TI do SIS, que envolvem programação, eletrônica, robótica e Arduino, os alunos utilizam conhecimentos de matemática e ciências para desenvolver soluções relacionadas a situações do cotidiano. Frederico cita uma atividade inspirada no funcionamento dos postes de iluminação pública. "Eles pegam sensores reais de luminosidade, criam circuitos, entendem toda essa dinâmica de como funciona, programam", detalha. 

A proposta permite que os alunos compreendam, na prática, um mecanismo que faz parte do dia a dia. Para Frederico, experiências assim ajudam o estudante a perceber que o conhecimento pode ser utilizado para solucionar problemas reais. 

Da experiência para o aprendizado

Entre os estudantes, a diferença entre teoria e prática também é percebida. Izabella Gonçalves, de 16 anos, conta que gosta especialmente das aulas de TI, nas quais trabalha com Arduino. Para ela, o contato com os componentes ajuda a compreender melhor o funcionamento dos computadores. "Quando a gente mexe no computador, não entende completamente como ele funciona. E quando a gente vai pegar na prática, é muito mais confuso, muito mais complexo do que simplesmente ligar e acessar algum site", relata.

Já Santiago Iglesias, 15, encontra no Model United Nations (MUN), atividade extracurricular de debates, uma oportunidade de desenvolver o pensamento crítico. "Eu gosto de discutir sobre os problemas que estão acontecendo ao redor do mundo", conta. Para o estudante, participar dos debates também exige compreender diferentes pontos de vista. "No MUN, você pode ter uma opinião diferente do país que está representando, mas, já que você está representando aquele país, tem que agir como ele", explica.

* Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

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