Apenas 51% dos estudantes brasileiros completam a trajetória escolar com regularidade e chegam ao fim de cada etapa na idade esperada, sem reprovação nem abandono. O dado foi citado pelo professor emérito da UFMG e ex-presidente do Inep, Francisco Soares, durante o 6º Seminário Internacional de Gestão Educacional, promovido pelo Instituto Unibanco, em São Paulo.
"Perceba, é pouca gente", disse Soares ao Correio. "Eu preciso dizer às pessoas: quando fiz a correlação, queria ver como está a trajetória dos estudantes nessa cidade com o Ideb alto."
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O Ideb não mede trajetória. O índice combina o desempenho dos alunos em provas de língua portuguesa e matemática com a taxa de aprovação, que indica se o aluno passou de ano, mas não informa se ele entrou na escola aos seis anos, se repetiu alguma série, se saiu e voltou ou se chegou ao fim com defasagem acumulada.
Soares defende que a trajetória escolar passe a ser acompanhada pelas redes como indicador complementar ao Ideb. "Resultado é absolutamente fundamental. Mas eu estou defendendo um leque maior de resultados analisados com formas educacionais mais sólidas", afirmou.
A comparação com o Chile
Para dimensionar o problema, Soares comparou o Brasil ao Chile. Segundo ele, ao final do ensino médio no Chile, 88% dos jovens completaram a trajetória com, no máximo, um ano de atraso. "A performance de defasagem dos estudantes chilenos no final do ensino médio é um pouquinho melhor do que a dos brasileiros com cinco anos de escolaridade", disse.
No Brasil, ao final do ensino médio, cerca de 46% dos estudantes que permanecem na escola apresentam defasagem de 2 anos ou mais.
O que o Ideb não mostra
O dado se conecta com outra crítica feita por Soares no seminário: a de que o Ideb, ao trabalhar com médias, esconde as desigualdades entre grupos sociais. "Na realidade, o que nós temos é pouca explicitação das desigualdades", afirmou. "Num país desigual como o nosso, eu devo dizer o Ideb dos diferentes grupos sociais."
Segundo ele, os dados estratificados por nível socioeconômico e raça estão nos bancos de dados do Inep, mas não são divulgados com esse recorte. "Não existe nenhuma dificuldade estrutural para que a gente faça isso", disse. "É uma questão de mudança."
O Correio acompanhou o evento a convite do Instituto Unibanco
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá
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