Por Ian Vieira
Kawe Rodrigues, de 21 anos, foi aprovado para o curso de medicina na Universidade de São Paulo (USP) no campus de Ribeirão Preto. Em meio a preparação, o estudante perdeu a mãe, que morreu em decorrência de um infarto. Após três anos de estudo em um curso preparatório, o paulista obteve a aprovação na universidade estadual, que é considerada a melhor instituição de ensino superior do Brasil.
Durante o ensino médio, o jovem tinha o sonho de estudar biologia marinha. “Tive várias fases, biologia, medicina veterinária e depois tive a certeza que queria medicina”, afirmou. “Não teve um ponto de virada de chave para escolher o curso.”
Ainda no terceiro ano do ensino médio, Kawe conseguiu aprovação para medicina veterinária, mas optou por não ingressar, convicto em estudar para medicina: “Eu tinha nota suficiente [para passar em medicina], mas me inscrevi para veterinária. Conversei com minha mãe e disse que tinha vontade de fazer medicina’, e ela me disse que daria um jeito [de bancar meus estudos]. A solução veio com a ajuda do padrinho, que custeou um ano de cursinho ao afilhado.
No primeiro ano de preparação, o estudante conseguiu se classificar para a segunda fase na Universidade Estadual de São Paulo (Unesp). A dedicação e desenvolvimento do aluno levaram o curso preparatório em que ele estava matriculado a oferecê-lo um bolsa integral para estudos no ano seguinte. “Foi uma grande evolução, passar para a segunda fase de medicina vindo de um ensino médio público defasado, principalmente por conta da pandemia, foi um grande feito. O cursinho viu o meu potencial e me me concedeu uma bolsa de 100%”, celebra.
No segundo ano de preparação, Rodrigues chegou à segunda fase da Unesp e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mas não conseguiu aprovação. Entretanto, com o bom desempenho, manteve a bolsa de estudos para o terceiro ano.
Em junho de 2025, veio a notícia do falecimento de Kenya, mãe de Kawe, após ela sofrer um infarto decorrente de problemas cardiológicos preexistentes. “Foi um grande choque, acabei faltando em alguns simulados, mas eu persisti e continuei frequentando o cursinho, até porque ela tinha me pedido isso antes de falecer”, relembra.
Mesmo com as dificuldades, Kawe Rodrigues continou focado até o fim do ano, e conseguiu ser aprovado na terceira tentativa. “Estou muito ansioso, é a materialização de um sonho, além de ser a extensão do sonho da minha mãe”, comemora.
*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá
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