
A China condenou, neste sábado (3/1), os ataques militares dos Estados Unidos contra a Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que a ação “viola gravemente o direito internacional”, fere a soberania do país sul-americano e ameaça a paz e a segurança da América Latina e do Caribe.
Para Pequim, o uso da força por Washington configura “comportamento hegemônico” e não tem respaldo legal internacional. O governo chinês reforçou que se opõe firmemente a qualquer intervenção militar unilateral.
De acordo com o professor de Relações Internacionais Gunther Rudzit, a China é uma peça chave no tabuleiro do jogo entre EUA e Venezuela. O especialista destaca que a operação norte-americana trata-se de uma estratégia para retirar da China o acesso a um recurso considerado essencial. “Cerca de 90% do petróleo venezuelano hoje é exportado para a China”, afirma Rudzit. “Se houver uma mudança de regime na Venezuela, o governo americano estará negando à China uma commodity estratégica."
Ele ressalta que os Estados Unidos não dependem desse petróleo. “Os EUA hoje são pequenos importadores de petróleo. Não é uma invasão para obter petróleo, mas para negar petróleo ao governo chinês.”
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Segundo o especialista em relações internacionais explica, a China é hoje uma das principais interessadas no petróleo venezuelano, tanto como compradora quanto como credora. “A Venezuela deve bilhões de dólares à China, grande parte desses empréstimos foi garantida com fornecimento de petróleo. Qualquer mudança abrupta no poder ameaça diretamente esses acordos”, avalia.
De acordo com o especialista, a instabilidade política ou uma eventual reorientação do governo venezuelano pode comprometer contratos energéticos estratégicos para Pequim. “Quando a China fala em soberania, ela também está protegendo seus interesses econômicos e energéticos”, afirma.
A condenação chinesa também se insere na disputa global com os Estados Unidos. Ao criticar a operação, Pequim tenta se posicionar como defensora do multilateralismo e do respeito ao direito internacional, especialmente diante dos países da América Latina, região considerada estratégica na competição por influência global.
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