EUA X VANEZUELA

China condena ataque à Venezuela e vê ameaça a interesses estratégicos

Além de criticar a violação da soberania venezuelana, Pequim reage por ter interesses diretos no petróleo do país, avalia professor ouvido pelo Correio

Uma venezuelana residente no Peru comemora com uma bandeira nacional no Parque Miguel de Cervantes, próximo à Embaixada da Venezuela em Lima, em 3 de janeiro de 2026, após as forças americanas capturarem o líder venezuelano Nicolás Maduro. -  (crédito: Agência France-Presse)
Uma venezuelana residente no Peru comemora com uma bandeira nacional no Parque Miguel de Cervantes, próximo à Embaixada da Venezuela em Lima, em 3 de janeiro de 2026, após as forças americanas capturarem o líder venezuelano Nicolás Maduro. - (crédito: Agência France-Presse)

A China condenou, neste sábado (3/1), os ataques militares dos Estados Unidos contra a Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que a ação “viola gravemente o direito internacional”, fere a soberania do país sul-americano e ameaça a paz e a segurança da América Latina e do Caribe.

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Para Pequim, o uso da força por Washington configura “comportamento hegemônico” e não tem respaldo legal internacional. O governo chinês reforçou que se opõe firmemente a qualquer intervenção militar unilateral.

De acordo com o professor de Relações Internacionais Gunther Rudzit, a China é uma peça chave no tabuleiro do jogo entre EUA e Venezuela. O especialista destaca que a operação norte-americana trata-se de uma estratégia para retirar da China o acesso a um recurso considerado essencial. “Cerca de 90% do petróleo venezuelano hoje é exportado para a China”, afirma Rudzit. “Se houver uma mudança de regime na Venezuela, o governo americano estará negando à China uma commodity estratégica."

Ele ressalta que os Estados Unidos não dependem desse petróleo. “Os EUA hoje são pequenos importadores de petróleo. Não é uma invasão para obter petróleo, mas para negar petróleo ao governo chinês.”

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Segundo o especialista em relações internacionais explica, a China é hoje uma das principais interessadas no petróleo venezuelano, tanto como compradora quanto como credora. “A Venezuela deve bilhões de dólares à China, grande parte desses empréstimos foi garantida com fornecimento de petróleo. Qualquer mudança abrupta no poder ameaça diretamente esses acordos”, avalia.

De acordo com o especialista, a instabilidade política ou uma eventual reorientação do governo venezuelano pode comprometer contratos energéticos estratégicos para Pequim. “Quando a China fala em soberania, ela também está protegendo seus interesses econômicos e energéticos”, afirma.

A condenação chinesa também se insere na disputa global com os Estados Unidos. Ao criticar a operação, Pequim tenta se posicionar como defensora do multilateralismo e do respeito ao direito internacional, especialmente diante dos países da América Latina, região considerada estratégica na competição por influência global.

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postado em 03/01/2026 13:50
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