
A deputada Soraya Santos (PL-RJ) levou ao evento “Democracia: Substantivo Feminino” um discurso sustentado por uma indignação que, para ela, deveria ser compartilhada pelo país inteiro. Em sua fala, lembrou que só foi possível ampliar a presença feminina no Parlamento quando o Judiciário garantiu financiamento e tempo de televisão para campanhas de mulheres.
“Foi importantíssimo o apoio do Judiciário para que a gente começasse a ter mais mulheres no Parlamento”, disse. Ela recordou que, apenas após a decisão que instituiu tempo e recursos obrigatórios para candidaturas femininas, em 2018, o Congresso viu um salto histórico: “Em 2019 chegou no Parlamento mais mulheres do que os 30 anos que nos antecederam”.
Soraya apresentou um dado que surpreendeu parte do público: apesar de representarem apenas 18% da Câmara, as deputadas hoje são responsáveis por 48% de toda a produção legislativa.
Segundo ela, isso revela um potencial que não é novo, apenas antes invisibilizado. “Mostrou-se também que quanto mais mulheres no Parlamento, mais matérias de direitos humanos são votadas”, completou, reforçando o impacto da diversidade na agenda do país.
Mas, para a deputada, esse avanço ainda convive com uma contradição grave: “No Brasil, infelizmente, a mulher que é maioria é tratada como cota. Tem alguma coisa errada. Como pode uma maioria ter que, o tempo todo, ter cota?”.
Disparidade entre estados
Ela afirmou que a reflexão proposta pela presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, precisa ser levada para cada ambiente de trabalho, público ou privado, para que se identifique onde está a desigualdade que persiste. Soraya também chamou atenção para a enorme disparidade entre estados brasileiros, citando o Amazonas como exemplo dramático.
“Como defender a população ribeirinha, as meninas que com 12 anos vão carregar lata d’água e que, muitas vezes, têm que pagar pedágios do corpo delas?”, questionou, ao lembrar que alguns estados sequer têm mulheres eleitas para representá-las nessas pautas urgentes.
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