
O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que bombardeou diferentes partes do território e resultou na captura de Nicolás Maduro na madrugada de ontem (3/12), desencadeou uma onda de manifestações entre pré-candidatos da oposição à Presidência da República do Brasil.
Do lado oposicionista ao governo brasileiro, predominam declarações que classificam o ataque como um ato de “libertação” dos cidadãos venezuelanos; de outro, surgem alertas para a “violação do direito internacional” e para o aumento das tensões na América Latina.
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O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi um dos primeiros a se pronunciar. Em publicações nas redes sociais, afirmou que “não se trata de uma invasão americana, mas de uma libertação do regime ditatorial de Maduro”. Segundo ele, “a Venezuela tornou-se um dos exemplos mais extremos de como um regime autoritário pode destruir uma nação”, ao citar “a concentração de poder, o enfraquecimento das instituições democráticas, a perseguição à imprensa e a repressão à oposição e a eliminação da independência do Judiciário”.
Flávio Bolsonaro também associou o governo venezuelano ao crime organizado. Para o senador, “Maduro utilizava o território venezuelano como rota estratégica para a distribuição de drogas para diversos países”. Ele descreveu o cenário interno como “uma tragédia humanitária”, marcada por “colapso da economia, hiperinflação, desemprego em massa e desabastecimento de alimentos e medicamentos”, além de mencionar “mais de 7 milhões de venezuelanos obrigados a deixar sua terra para sobreviver”.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que apesar de não declarar que pretende disputar a vaga no Planalto, mas ainda assim, aparece nas pesquisas como candidato, celebrou a prisão do líder venezuelano. Em vídeo divulgado nas redes, afirmou esperar que “a prisão do ditador Maduro seja o primeiro passo no caminho da liberdade para a Venezuela”. Tarcísio acrescentou que “uma ditadura não cai da noite para o dia” e que “ela corrói as instituições por dentro, pouco a pouco, e quem paga o preço mais alto é sempre a população”. O governador ainda fez críticas indiretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao afirmar que o regime chavista teria sobrevivido com “apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de companheiro”.
No mesmo tom, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), afirmou que “este 3 de janeiro deve entrar para a história como o dia da libertação do povo venezuelano”. Em sua avaliação, trata-se de um povo “oprimido há mais de 20 anos pela narcoditadura chavista”. Caiado declarou ainda esperar que “a democracia, a liberdade e a prosperidade se instalem no país”.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse desejar que “a queda de Maduro sirva para que o povo venezuelano finalmente reencontre paz, estabilidade e o caminho do desenvolvimento”. Para Zema, “o chavismo isolou a Venezuela do mundo, destruiu a economia, expulsou milhões do próprio país e mostrou os efeitos trágicos de regimes autoritários”.
Já o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), foi direto ao parabenizar o governo norte-americano. “Quero parabenizar o presidente Trump pela brilhante decisão de libertar o povo da Venezuela”, escreveu, ao afirmar que se trata de uma população que “estava sendo oprimida há décadas por tiranos antidemocráticos”. Na sequência, celebrou: “Viva a liberdade. Viva a democracia. Viva a Venezuela”.
Em posição distinta, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), adotou um discurso mais cauteloso. Embora tenha ressaltado que “o regime ditatorial de Maduro é inadmissível” e que “viola direitos humanos, sufoca liberdades e impõe sofrimento ao povo venezuelano”, Leite ponderou que “a violência exercida por uma nação estrangeira contra outra soberana, à margem dos princípios básicos do direito internacional, é igualmente inaceitável”. Para ele, “os princípios diplomáticos devem prevalecer, com diálogo e respeito à soberania das nações para resolver conflitos. Nossa América Latina precisa de paz e cooperação, não de intervenções armadas. Minha solidariedade ao povo venezuelano neste momento difícil.”
A posição entre os pré-candidatos contrasta com a posição oficial do governo brasileiro. O presidente Lula afirmou que a ação dos Estados Unidos “ultrapassou uma linha inaceitável” e que ameaça a preservação da América Latina como “zona de paz”.
“Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional",disse em publicação nas redes sociais.

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