
O professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC) e doutor em relações internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) Eduardo Galvão afirmou, nesta terça-feira (6/1), que o Brasil está em posição “delicada” após a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos. Segundo ele, as dificuldades estão em encontrar uma linha tênue no posicionamento internacional entre o pragmatismo diplomático necessário e a ideologia que não vai de acordo com o pregado pelos EUA.
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“O Brasil tem uma posição bastante delicada nesse cenário, porque ele tem a sua posição ideológica em relação à democracia, em respeito ao direito internacional, mas, por outro lado, também existe um pragmatismo muito grande, um pragmatismo que é seguido também pelas grandes potências, pela China e pelos Estados Unidos”, explicou Galvão, em entrevista ao programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.
Na avaliação do especialista, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reabriu as intervenções norte-americanas na América Latina, algo que havia sido negligenciado nos últimos 30 anos, quando as atenções se voltaram para a Ásia. A ação, segundo o professor, deve se tornar um alerta para todos os outros países do continente americano, pois não é somente o petróleo que interessa ao país governado por Trump.
"Nova Guerra Fria"
Eduardo ressaltou, ainda, que as eleições brasileiras são outro ponto de atenção, pois "tudo é possível”, mesmo que o Brasil esteja fazendo uma espécie de “diplomacia preventiva”, reafirmando a soberania, principalmente na época do tarifaço. De acordo com o entrevistado, o republicano pode interferir de forma mais intensa no processo eleitoral, apesar de acreditar que as chances são baixas, justamente pela prevenção feita pelos membros do governo atual.
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“Estamos vivendo em uma nova Guerra Fria, é uma outra roupagem com outros interesses e uma nova dinâmica, não é mais só sobre ações militares e territórios, mas uma disputa por centralidades de redes, redes de produção, redes econômicas, redes financeiras, redes de de informática, tecnologia de inteligência artificial”, explicou.
Para o professor do IBMEC, os impactos econômicos nos países da América do Sul devem se concentrar em efeitos de médio a longo prazo, desestimulando possíveis investidores, pela percepção de riscos, a depositarem seus capitais nos territórios, que podem receber intervenções dos norte-americanos.
Assista à entrevista na íntegra
*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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