venezuela em transe

Após invasão, temor de nova onda migratória ressurge em Roraima

Governador Antonio Denarium alerta para risco de colapso dos serviços públicos em caso de aumento do fluxo de venezuelanos. Ministério da Saúde envia equipe ao estado para criar um "plano de contingência" ante eventual agravamento da crise internacional

Exército Brasileiro intensificou a fiscalização na fronteira: militares passaram a realizar vistorias mais rigorosas na via de acesso entre os países -  (crédito:  Governo de Roraima/Divulgação)
Exército Brasileiro intensificou a fiscalização na fronteira: militares passaram a realizar vistorias mais rigorosas na via de acesso entre os países - (crédito: Governo de Roraima/Divulgação)

O governador de Roraima, Antônio Denarium (PP), afirmou que o governo federal deve aumentar a fiscalização e o controle do fluxo imigratório de venezuelanos na região, pois o estado não teria condições de suportar a entrada de mais imigrantes.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

"É uma preocupação muito grande. Se aumentar o fluxo de entrada de venezuelanos, Roraima não tem condições e não tem capacidade para fazer o atendimento", sustentou, em entrevista à CNN Brasil.

Segundo Denarium, no pico da migração, chegavam de 1.500 a 2.000 venezuelanos por dia a Roraima. Nos últimos 30 dias, de acordo com ele, o fluxo recuou para uma média de 300 a 500 pessoas diariamente. Ainda assim, ele afirmou que o cenário segue instável. "Com esse ataque ocorrido, estamos vivendo um momento de muita preocupação e fazendo a observação", declarou, em relação à ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela.

Denarium frisou que mesmo em períodos de fechamento oficial da fronteira, venezuelanos continuam ingressando no território brasileiro por rotas alternativas.

Ele informou que pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para abrir um debate no Congresso Nacional sobre a entrada de estrangeiros no Brasil. "Como eles chegam a Roraima como refugiados, não têm restrição de entrada e nem de documentação", disse. O governador pediu ao governo federal que olhe para a população de Roraima, que não suporta mais a imigração de venezuelanos.

"Aproximadamente 20% da nossa população são venezuelanos, automaticamente tirando a oportunidade de brasileiros, em empregos, em segurança pública, saúde e educação. E o governo de Roraima tem bancado todo esse custo", frisou.

Nesta terça-feira, o Ministério da Saúde enviou uma equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FNSUS) para a fronteira do Brasil com a Venezuela, em Roraima. O intuito, de acordo com a pasta, é identificar e avaliar as estruturas hospitalares do local e criar um "plano de contingência" para possíveis agravamentos na crise internacional e aumento da demanda de migrantes na região.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou ainda que a equipe possui "vasta experiência" em tragédias e que, caso necessário, os integrantes da Força Nacional do SUS vão montar hospitais de campanha e expandir estruturas existentes com o objetivo de reduzir os impactos no sistema público de saúde nacional.

Padilha reforçou que o governo está à disposição da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) para o caso de ajuda humanitária, já que o principal centro de distribuição da cidade de La Guaira, na Venezuela, foi destruído pelo ataque norte-americano.

Exército

Já o Exército Brasileiro intensificou a fiscalização na fronteira, após a escalada da tensão internacional provocada por ataques dos Estados Unidos. Militares passaram a realizar vistorias mais rigorosas na principal via de acesso entre os dois países, com abordagem a pedestres e veículos que cruzam a fronteira.

Apesar do reforço, o comandante do Exército em Roraima, general de brigada Roberto Pereira Angrizani, afirmou, na segunda-feira, que o fluxo na fronteira segue dentro da normalidade. Segundo ele, até o momento, não há necessidade de envio de mais tropas para a região.

O Exército confirmou ao Correio que há 129 mil militares no Pelotão Especial de Fronteira em Pacaraima (RR). "O reforço da fiscalização é feito por meio da intensificação do monitoramento e das patrulhas na região. Por fim, não há alterações desde terça-feira (5/1) no fluxo do local", informou.

Segundo o professor de direito internacional Manuel Furriela, o Brasil, por cautela, reforçou a fronteira com a Venezuela. "Um dos motivos é a presença norte-americana no mar do Caribe. O monitoramento das tropas brasileiras se faz necessária. Outro motivo é a atenção ao fluxo de imigrantes. Nada indica que haja um aumento, mas a fiscalização se torna estratégica ao Brasil para verificar um fluxo anormal", explicou.

O especialista alertou para possível entrada de narcotraficantes colombianos e venezuelanos, por serem perseguidos com mais intensidade pelas tropas americanas. (Com Agência Estado)

*Estagiários sob a supervisão de Cida Barbosa

 


  • Google Discover Icon
CY
LC
postado em 07/01/2026 03:55
x