Judiciário

Desembargadora do Pará critica restrição a penduricalhos: "regime de escravidão"

Eva do Amaral Coelho afirmou que em breve juízes "não terão como pagar as contas". No entanto, ela teve remuneração bruta de R$ 117.863,72 em março deste ano

"Daqui a pouco a gente vai estar no hall daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão", disse a magistrada - (crédito: Érika Miranda/Divulgação TJPA)

Uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) usou uma das sessões da Corte para reclamar de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringe a concessão de auxílios, conhecidos como penduricalhos. A fala da juíza Eva do Amaral Coelho ocorreu durante a última sessão presencial da 3ª Turma de Direito Penal, realizada no dia 09 deste mês.

“Nós não temos direito mais a auxílio alimentação, não temos direito a receber uma gratificação por direção de foro. [...] Enfim, daqui a pouco a gente vai estar no hall daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”, disse a magistrada.

A decisão do Supremo restringe a concessão dos benefícios para juízes e integrantes do Ministério Público. Dados do Portal da Transparência revelam que apesar das reclamações, Eva recebeu, em março de 2026, remuneração bruta de R$ 117.863,72. Com os descontos resultantes de impostos, o valor líquido foi de R$ 91.211,82.

Ela afirmou ainda que em breve juízes não terão como pagar as contas e afirmou, sem apresentar provas, que alguns magistrados estão cancelando consultas médicas por não terem como pagar. “Hoje a gente vive uma tensão enorme, porque não teremos, em algum tempo, como pagar nossas contas. Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de médicos porque não vão poder pagar a consulta, outros estão deixando de tomar remédios”, completou.

A fala ocorreu no início da sessão e gerou repercussão nas redes sociais. “Os juízes hoje estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos. Pessoas que querem ganhar muito sem fazer nada. Eu gostaria que uma parte da população viesse viver o dia a dia do juiz e do desembargador para verificar como é que a gente trabalha”, finalizou. O tribunal ainda não se manifestou sobre as declarações.

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postado em 21/04/2026 12:34
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