relações exteriores

Na Casa Branca, Lula e Trump falarão de Pix, terras raras e facções

Os dois presidentes têm encontro marcado em Washington nessa quinta-feira. Entre os temas da visita estão a cooperação para combate ao crime organizado, a oposição americana ao sistema de pagamento digital do Brasil e a negociação para exploração de minerais críticos

Os presidentes Trump e Lula se encontraram em outubro passado, na Malásia -  (crédito: Ricardo Stuckert / PR)
Os presidentes Trump e Lula se encontraram em outubro passado, na Malásia - (crédito: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta quarta-feira, às 13h, rumo aos Estados Unidos, onde pretende se reunir com o presidente Donald Trump, em Washington. O encontro, cercado de cautela por parte do Planalto, está previsto para essa quinta-feira e terá como principais temas a cooperação entre os dois países para o combate ao crime organizado, as investigações em curso sobre o Pix e a negociação de um acordo para exploração de terras raras.

O Executivo mantém uma discrição pouco usual sobre a reunião. As viagens presidenciais costumam ser divulgadas com antecedência, especialmente quando há encontros com chefes de Estado. Porém, o Planalto decidiu não divulgá-lo até que a própria Casa Branca chancelasse a conversa, temendo que a gestão Trump volte atrás e cause constrangimento a Lula. A confirmação veio na noite dessa terça-feira.

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O governo brasileiro quer se contrapor às movimentações da gestão Trump para classificar o PCC e o CV como organizações terroristas. O Departamento de Estado americano já declarou considerar essas facções como ameaças e defendeu que a classificação pode permitir medidas mais duras contra ativos que estejam em solo americano. O Brasil, por sua vez, teme que a mudança sirva como pretexto para intervenções no território nacional, como ocorreu no México, na Venezuela e na Colômbia.

"Esse é um tema que o presidente Lula já levou ao presidente Trump, e vai levar de novo", comentou, nessa terça-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin em entrevista à Globonews. A estratégia do governo federal é apresentar medidas para ampliar a cooperação com os EUA no combate ao crime organizado, especialmente asfixiando o financiamento das facções. Seria uma ampliação do acordo anunciado em abril, com troca de informações em tempo real. Ao demonstrar dar prioridade para o combate ao crime, o Brasil espera demover Trump de seguir com a mudança de classificação.

Concorrência

Outro ponto central do encontro será a investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que mira o Pix e acusa o mecanismo de pagamento digital de promover uma concorrência desleal com empresas americanas, especialmente as bandeiras de cartão de crédito. "Essa é uma preocupação. Por isso, eu destacaria que é um dos pontos prioritários dessa conversa", comentou Alckmin. Para ele, o Pix "é um sucesso" e causa "inveja" em outros países do mundo. A investigação dos EUA pode levar a novas sanções econômicas contra o Brasil.

Também está na mesa a negociação para permitir que empresas americanas explorem as reservas brasileiras de terras raras e minerais críticos. No entanto, a proposta apresentada pelo governo americano ainda é vista com cautela pelo Brasil. "O presidente Lula tem colocado que não tem tema proibido. Então, vamos conversar. Big techs, terras raras, data centers. Você tem a política tarifária, não tarifária. Você tem aí uma agenda importante", comentou Alckmin.

Será a primeira vez que Lula e Trump se encontram em Washington, e a segunda em que conversam pessoalmente. O encontro foi combinado durante um telefonema em janeiro e chegou a ser marcado para meados de março, mas acabou adiado após o início da guerra do Irã. As equipes diplomáticas, entretanto, mantiveram contato.

Lula deve embarcar com uma comitiva pequena, acompanhado dos ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Justiça, Wellington César Lima e Silva, além do chanceler Mauro Vieira. A volta ao Brasil está prevista para sexta-feira.

Momento político

Embora com posições antagônicas, Lula e Trump compartilham de situação política interna semelhante: os dois registram quedas na popularidade em ano eleitoral.

No caso do presidente dos Estados Unidos, uma pesquisa do Washington Post-ABC News-Ipsos, mostrou que sua desaprovação atingiu recorde de 62%. O levantamento, divulgado no último domingo, indicou queda na popularidade a menos de seis meses das eleições de meio de mandato, em novembro, quando os norte-americanos vão eleger seus parlamentares.

Contra a popularidade de Trump pesam o aumento de custo de vida e o fato de o líder da Casa Branca protagonizar o conflito armado contra o Irã.

No caso de Lula, pesquisas recentes têm mostrado que ele está em empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro (PL) a cinco meses das eleições presidenciais de outubro.

Segundo o levantamento do instituto Real Time Big Data, divulgado nessa terça-feira, Lula estaria atrás numericamente de Flávio com 43% ante 44%.

 

 

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postado em 06/05/2026 03:55
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