COPA DO MUNDO

O Hexa vem? 'Efeito Eymael' faz o Brasil sonhar com 1994 e 2002

Pela terceira vez desde 1989, José Maria Eymael não disputará o Planalto. O detalhe é que, nas outras duas, a Seleção Brasileira trouxe a taça para casa

Pé quente? A pouco mais de um mês da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, uma das crenças mais curiosas voltou a movimentar e reacender o imaginário popular: o chamado “Efeito Eymael”. Ultrapassando os limites da Justiça Eleitoral, a teoria mistura política e futebol e sugere que a ausência do ex-candidato à Presidência da República está diretamente ligada aos títulos mundiais conquistados pelo Brasil. 

O argumento se sustenta porque em 1994, ano em que o Brasil se consagrou tetracampeão nos Estados Unidos, Eymael não disputou o Planalto. E o mesmo se repetiu em 2002, quando a Seleção Brasileira conquistou o penta, na Ásia. Agora, com a recente sinalização de que o politico não pretende lançar a candidatura em 2026, torcedores voltam a especular: seria mais um sinal de agora o hexa vem?

Quem é Eymael, o “candidato do jingle"

Nascido em Porto Alegre, em 1939, José Maria Eymael é advogado, empresário e político com longa trajetória ligada à democracia cristã. Formado em direito e filosofia, ele ganhou destaque nacional ao participar da Assembleia Constituinte de 1988, sendo um dos parlamentares com maior número de emendas aprovadas.

Ao longo da carreira, transitou por diferentes siglas até consolidar sua atuação no partido Democracia Cristã (DC), da qual foi principal liderança por décadas.

Seu jingle “Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão”, virou um dos mais conhecidos da política brasileira, atravessando gerações e sendo lembrado a cada eleição. A música simples e repetitiva consegue "grudar" na mente das pessoas e até garantiu ao candidato um reconhecimento nacional que muitas vezes superou seu desempenho nas urnas.

Confira o Single:

Desempenho eleitoral: presença constante nas urnas

Eymael disputou a Presidência da República seis vezes. Em 1998, obteve 171 mil votos (0,25%); 2006 com 135 mil votos (0,14%); 2010: 89 mil votos (0,09%), teve melhor colocação relativa ficando em 5º lugar; em 2014, com 61 mil votos (0,06%); 2018, teve 41 mil votos (0,04%); e, por último, em 2022, com 16 mil votos (0,01%). Além disso, foi eleito deputado federal por São Paulo em 1986 e reeleito em 1990. Apesar dos números modestos, sua constância o transformou em figura tradicional do cenário político brasileiro, e em um símbolo de campanhas “raiz”, com forte apelo popular.

Entre política e superstição

O chamado “Efeito Eymael” se consolidou como uma superstição curiosa que conecta eleições e futebol, duas "paixões" nacionais. Em todos os anos em que o político concorreu à Presidência, o Brasil não venceu a Copa. Já nas duas vezes em que ficou fora da disputa, a Seleção levantou a taça.

Agora, com a possibilidade de repetir esse cenário, a coincidência volta ao radar. Enquanto especialistas tratam o tema como mera casualidade, torcedores preferem manter a tradição da superstição, a ausência de Eymael pode ser vista como um “bom presságio”.

"Obrigado, Eymael. Sacrificando a presidência do Brasil para sermos Hexa!" comemora um internauta. Outro internauta comenta: "Ele mesmo já dizia: sinais, fortes sinais!", dando ênfase  um bordão do político.

O Brasil estreia na Copa do Mundo, em 13 de junho, contra o Marrocos, as 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, Nova Jersey. Sob o comando de Ancelotti, a Seleção está no grupo C, com Haiti e Escócia. 

E não é somente a superstição de Eymael, torcedores sempre criam crenças como camisas da sorte, promessas e simpatias. Em 1994, o Brasil quebrou o jejum de 24 anos e trouxe o tetra, com o ataque de Romário e Bebeto. Em 2002 levantou o penta, no Japão, com o trio dos 3 Rs: Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. Agora, com Eymael novamente fora da corrida presidencial, torcedores se perguntam se o destino pode repetir a sorte e trazer o tão sonhado hexa

*Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca

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