6x1

MP junto ao TCU pede suspensão de campanha do governo sobre fim da escala 6x1

Subprocurador Lucas Rocha Furtado apresentou representação com pedido de medida cautelar para apurar gastos de R$ 80 milhões com publicidade da proposta e questiona possível uso político da campanha institucional

Campanha do governo defende fim da escala 6×1, projeto ainda em tramitação no Congresso  -  (crédito: Reprodução/Internet)
Campanha do governo defende fim da escala 6×1, projeto ainda em tramitação no Congresso - (crédito: Reprodução/Internet)

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) protocolou uma representação com pedido de medida cautelar para que a Corte de Contas examine a legalidade, a economicidade e a finalidade dos gastos da campanha publicitária do governo federal em defesa do fim da escala de trabalho 6x1. O documento foi apresentado pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, com base na Lei nº 8.443/1992 e no Regimento Interno do TCU.

Na peça, o procurador pede que o tribunal analise contratos, valores empregados, meios de divulgação e o conteúdo das peças publicitárias, além de tornar públicos os critérios utilizados pelo TCU na fiscalização de campanhas institucionais que tenham repercussão política. O pedido inclui ainda a apreciação, em caráter cautelar, da suspensão parcial ou total dos gastos com a publicidade.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Lucas Rocha Furtado sustenta que há semelhanças entre a campanha atual e a propaganda do chamado "pacote anticrime", suspensa pelo TCU em 2019. À época, a Corte considerou que a divulgação de um projeto ainda em tramitação no Congresso Nacional não atendia aos requisitos constitucionais de caráter educativo, informativo ou de orientação social. Segundo o procurador, o mesmo entendimento deveria ser aplicado à campanha relacionada à redução da jornada de trabalho.

Na representação, o integrante do Ministério Público de Contas menciona reportagens que apontam investimentos de cerca de R$ 80 milhões na campanha da Secretaria de Comunicação Social (Secom), lançada em maio sob o mote "Tempo com a família". O texto afirma que as peças adotam um tom de celebração e associam a medida diretamente ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que, na avaliação do procurador, pode configurar promoção político-governamental.

O documento também aponta falta de transparência em relação aos valores efetivamente empregados na publicidade e argumenta que a ausência de uma reação do TCU, em contraste com a decisão adotada em 2019, pode gerar uma percepção de tratamento desigual e comprometer a credibilidade do controle externo. Para o subprocurador, a publicidade institucional não pode ser utilizada como instrumento de persuasão política ou de construção de narrativas governamentais.

Ao final, Lucas Rocha Furtado requer que o TCU investigue a regularidade das despesas e, caso sejam constatadas irregularidades, adote medidas como a responsabilização de gestores, a interrupção da campanha e a expedição de recomendações para evitar o uso indevido de recursos públicos em publicidade de caráter político. O pedido ainda será analisado pela Corte de Contas.

  • Google Discover Icon
postado em 19/06/2026 10:13 / atualizado em 19/06/2026 11:43
x