
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, acusou nesta terça-feira (30/6) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de querer "entregar de bandeja" os minerais críticos brasileiros aos Estados Unidos e classificou a postura do parlamentar como um ato de "traição à pátria".
Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, que contou com a participação do Correio, Boulos afirmou que o debate sobre terras raras será um dos principais temas da campanha eleitoral e vinculou o assunto às recentes declarações do presidente norte-americano, Donald Trump.
Segundo o ministro, o interesse dos Estados Unidos sobre os recursos minerais brasileiros explica parte das pressões externas sobre o governo Lula. "Quando o Flávio Bolsonaro chega e diz que quer disponibilizar uma equipe de transição para o governo dos Estados Unidos, o que está em jogo são os minerais críticos e as terras raras. Ele quer entregar para os americanos, quer entregar de bandeja, como sempre foi feito na história do Brasil", afirmou.
Boulos sustentou que a proposta do governo é oposta à defendida pela oposição. Segundo ele, o Brasil deve exportar produtos industrializados, e não apenas matéria-prima. "O presidente Lula deixou claro que o Brasil pode vender minerais para os Estados Unidos, para a China ou para a Europa. Mas o processamento é aqui, o refino é aqui. Nós não vamos vender terra rara bruta. Vamos produzir aqui, gerar emprego aqui e exportar com valor agregado", disse.
- Leia também: Mercosul em cenário adverso para Lula
Na avaliação do ministro, o tema envolve diretamente a soberania nacional e a política industrial do país. "O que eles querem é exportar o lítio, o nióbio e as terras raras em estado bruto para os Estados Unidos, deixar empresas estrangeiras explorarem nossos recursos e, de preferência, ainda com isenção fiscal. O governo Lula não aceita isso."
Cúpula do Mercosul
Ao comentar a atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Boulos afirmou que a América Latina enfrenta uma nova tentativa de interferência estrangeira e defendeu maior integração regional durante a Cúpula do Mercosul, realizada nesta semana no Paraguai. "Há muito tempo a gente não tinha um risco de uma atuação neocolonial como temos hoje. Você olha o Trump falando, parece que ele se crê como o imperador do mundo", destacou.
O presidente Lula participa nesta semana do encontro, em Assunção, onde líderes do bloco discutem integração. O ministro também criticou declarações de Trump sobre o cenário político brasileiro e disse que a região precisa atuar de forma unificada. "A América Latina não é quintal de ninguém. Ninguém aceita ser colonizado ou tratado como puxadinho de qualquer potência."
As críticas também atingiram Flávio Bolsonaro. Boulos afirmou que colocar instituições brasileiras à disposição de interesses estrangeiros seria incompatível com a defesa da soberania nacional. "Se ele fosse senador dos Estados Unidos, estaria preso por traição à pátria. Isso é gesto de traidor da pátria", declarou.
Segundo ele, a votação do projeto sobre minerais críticos e terras raras no Congresso precisa ocorrer antes das eleições. Para ele, adiar a discussão interessa aos que defendem maior abertura para a exploração estrangeira dos recursos estratégicos brasileiros. "Quem quer deixar esse tema para depois da eleição, para mim, é traidor da pátria, porque quer entregar os recursos brasileiros", enfatizou.

Economia
Economia
Economia
Economia
Economia
Economia