TROCA DE FARPAS

Flávio Bolsonaro acusa Lula de 'lamber as botas da China'

Senador criticou ausência do governo em audiência nos EUA e disse que Lula quer taxação para inflar discurso sobre soberania

O senador Flávio Bolsonaro durante transmissão ao vivo em que criticou a condução da política externa do governo Lula -  (crédito: Reprodução/YouTube Flávio Bolsonaro)
O senador Flávio Bolsonaro durante transmissão ao vivo em que criticou a condução da política externa do governo Lula - (crédito: Reprodução/YouTube Flávio Bolsonaro)

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou, nesta quarta-feira (8/7), as críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao comentar, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, sua participação na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

O parlamentar atribuiu ao chefe do Executivo o desgaste da relação entre Brasil e Estados Unidos, afirmou que o governo tem colocado a ideologia acima dos interesses nacionais e disse ter pedido às autoridades americanas que adiem a eventual aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros até após as eleições presidenciais.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Ao justificar sua permanência em Washington, Flávio afirmou que viajou para "proteger o Brasil das tarifas e também do Lula". Segundo ele, o presidente prejudicou o diálogo com os Estados Unidos ao adotar posições ideológicas na política externa.

"Vocês vão se lembrar que lá atrás ele dizia que se o Trump fosse eleito presidente dos Estados Unidos, ia ser um novo fascismo no mundo. Então, alguém que tem uma opção ideológica que é diferente da minha, obviamente, mas ele faz uma coisa que eu jamais faria, que é colocar a ideologia acima dos interesses do povo brasileiro", declarou.

Em seguida, acrescentou que Lula "a todo momento lambe as botas da China e taca pedra nos Estados Unidos", defendendo que um presidente deve negociar "com todo mundo". 

O senador afirmou que levou esse argumento à audiência do USTR ao sustentar que uma mudança de governo poderia alterar a relação bilateral.

"Hoje existe na presidência da República alguém que é anti Estados Unidos, que é o Lula. Alguém que a todo momento agride os Estados Unidos." Posteriormente, afirmou ter pedido que a decisão sobre as tarifas fosse revista. 

"As eleições são daqui a 87 dias, gente. (...) O que eu pedi? Olha, cancela essa tarifa. Cancela, porque a partir de janeiro do ano que vem pode ser que exista um presidente da República (...) que vai poder sentar de igual para igual e negociar com o governo americano."

O 01 de Bolsonaro também afirmou que a condução do governo federal teria contribuído para o avanço da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil. Durante a transmissão, classificou Lula como "um mentiroso" e afirmou que o presidente "não cumpre acordos".

O parlamentar ainda disse que mencionou às autoridades norte-americanas casos de corrupção registrados em gestões petistas.

"Eu citei lá quatro exemplos dos maiores escândalos de corrupção que esse país já viu. Não coincidentemente, são durante o governo Lula. Foi o mensalão, foi a Lava Jato, foi o roubo dos aposentados do INSS e o Banco Master agora."

Na avaliação do senador, o governo brasileiro também errou ao não enviar representantes para participar da audiência em Washington. Segundo Flávio, enquanto buscava convencer autoridades americanas a rever a possibilidade de sobretaxas, Lula teria interesse político na adoção das medidas.

"Só quem quer essa tarifação é o Lula", declarou. Ainda segundo ele, o presidente estaria "cavando pênalti toda hora" para criar a narrativa de que estaria defendendo a soberania nacional. "Ao invés de sentar para negociar, ele fica xingando, fazendo chacota, não manda ninguém para representar o Brasil", criticou.

Troca de críticas

As declarações de Flávio ocorrem após uma série de manifestações públicas do presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores (PT) sobre a atuação da família Bolsonaro nas discussões envolvendo a política comercial dos Estados Unidos.

Na semana passada, o presidente afirmou ser "inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos". Em outra manifestação, também pelas redes sociais, Lula afirmou que defender o fim do Mercosul representa um ataque aos interesses nacionais.

Já o PT declarou que o país "não tem espaço para traidores da pátria", em referência à atuação da família Bolsonaro junto ao governo americano.

As críticas ocorreram após Flávio Bolsonaro encaminhar ao USTR um pedido para que a eventual aplicação das tarifas sobre produtos brasileiros fosse adiada para depois das eleições presidenciais. Durante a audiência realizada em Washington, o senador voltou a defender que a taxação prejudicaria empresas dos dois países e afirmou que buscou convencer integrantes do governo americano de que um novo governo brasileiro poderia restabelecer a relação com os Estados Unidos e negociar alternativas às sobretaxas.

  • Google Discover Icon
postado em 08/07/2026 13:24
x