EMENDAS PARLAMENTARES

Emendas sob suspeita foram formalizadas pela liderança do Republicanos

Investigação da PF aponta que recursos atribuídos ao ex-deputado Eduardo Cunha foram registrados oficialmente pela liderança do Republicanos na Câmara, apesar de o ex-presidente da Casa não exercer mandato parlamentar

O ex-presidente da Câmara nega qualquer irregularidade e afirma que irá contestar judicialmente a medida -  (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O ex-presidente da Câmara nega qualquer irregularidade e afirma que irá contestar judicialmente a medida - (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

As 29 emendas parlamentares investigadas pela Polícia Federal (PF) por suposta indicação irregular do ex-deputado Eduardo Cunha foram formalmente registradas no sistema da Câmara dos Deputados como propostas apresentadas pela liderança do Republicanos. Os recursos, destinados a fundos municipais de saúde de Minas Gerais ao longo de 2025, somam mais de R$ 6,1 milhões e tiveram a execução suspensa por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a investigação, embora não ocupe cargo eletivo, Cunha teria atuado como o verdadeiro responsável pela destinação das verbas. A legislação prevê que emendas ao Orçamento sejam apresentadas por deputados, senadores, bancadas estaduais ou comissões permanentes, não havendo previsão para que ex-parlamentares indiquem recursos públicos.

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A decisão de Flávio Dino também determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens de Eduardo Cunha, valor equivalente ao total das emendas sob investigação. O ex-presidente da Câmara nega qualquer irregularidade e afirma que irá contestar judicialmente a medida. Em outra frente da mesma apuração, o ministro também determinou o bloqueio de bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, por suspeitas envolvendo a destinação de emendas parlamentares.

De acordo com a PF, o suposto esquema contava com a atuação da servidora da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", responsável pelo trâmite das emendas desde a gestão de Arthur Lira e mantida na função durante a presidência de Hugo Motta. Em relatório, os investigadores afirmam haver indícios de que ela operava com "pleno aval da presidência da Casa" para direcionar recursos em benefício de Cunha, que atualmente é pré-candidato a deputado federal por Minas Gerais.

Os documentos analisados pela investigação mostram que todas as emendas questionadas foram assinadas pela liderança do Republicanos na Câmara. À época, a função era exercida pelo deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG), que comandou a bancada entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026. Procurado, o parlamentar não havia se manifestado até a publicação da reportagem que revelou os documentos.

Nos bastidores do Congresso, o caso reacendeu o debate sobre a rastreabilidade das emendas de comissão, modalidade que ganhou protagonismo após o fim do chamado orçamento secreto. O volume de recursos destinados por esse mecanismo passou de R$ 329,4 milhões em 2022 para R$ 12,1 bilhões em 2026, elevando a pressão do STF por maior transparência.

Em resposta às cobranças da Corte, Congresso e Supremo pactuaram novas regras que exigem a identificação do parlamentar responsável pela solicitação das emendas e o registro formal das aprovações em atas das comissões. A Polícia Federal sustenta, entretanto, que o grupo investigado utilizou justamente a formalização pela liderança partidária para ocultar o verdadeiro autor das indicações.

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postado em 13/07/2026 11:05 / atualizado em 13/07/2026 11:09
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