
O pré-candidato do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) à Presidência da República, Hertz da Conceição Dias, afirmou nesta terça-feira (28/7), durante sabatina promovida pelo Correio Braziliense, que a educação pública brasileira enfrenta um processo de sucateamento e de privatização indireta. Professor de profissão, ele defendeu a ampliação dos investimentos no setor, a valorização dos docentes e criticou a influência de empresas privadas na definição das políticas educacionais.
Ao apresentar seu diagnóstico, Hertz traçou um panorama histórico da educação brasileira. Segundo ele, diferentemente de países europeus, onde a escola pública foi estruturada para qualificar trabalhadores, o sistema educacional brasileiro nasceu voltado à formação da elite intelectual durante o período escravocrata, deixando a população negra e os trabalhadores à margem do acesso à educação. Nesse contexto, afirmou defender a política de cotas como uma medida transitória para reduzir desigualdades históricas.
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O presidenciável também associou os problemas atuais da educação ao processo de desindustrialização do país e ao avanço de políticas neoliberais. Para ele, a escola pública vem sendo adaptada a uma lógica de mercado, marcada pela militarização das unidades de ensino, pelo uso crescente de plataformas digitais e por sistemas de avaliação que, segundo afirmou, desconsideram as diferentes realidades das redes e das comunidades escolares.
Hertz chamou atenção para os impactos desse cenário na saúde de professores e estudantes. O candidato citou dados que apontam o afastamento de cerca de 150 mil docentes por problemas de saúde em 2023 e afirmou que o ambiente escolar tem contribuído para o adoecimento físico e mental da categoria. Também mencionou pesquisa com adolescentes da rede pública, segundo a qual parte significativa dos estudantes relatou perda da vontade de viver e episódios de automutilação, atribuindo esse quadro às condições enfrentadas nas escolas e ao contexto social do país.
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Plano de cargos
Entre as propostas apresentadas, o candidato defendeu a ampliação dos investimentos na educação pública, afirmando que os recursos do setor devem ser destinados exclusivamente às escolas públicas. Também propôs a criação de um plano nacional unificado de cargos, carreiras e salários para os professores, com respeito ao piso nacional da categoria. Na avaliação dele, o piso tem sido utilizado como teto salarial em diversos estados e municípios, limitando a progressão dos profissionais.
O pré-candidato ainda defendeu o fim das terceirizações na educação e criticou o que classificou como mercantilização do ensino. Segundo Hertz, serviços públicos não devem ser tratados como mercadorias e a crescente participação de empresas privadas na gestão e na oferta de materiais e plataformas compromete a qualidade da educação. Para ele, a valorização dos profissionais e o fortalecimento da rede pública são condições essenciais para reverter o atual quadro de sucateamento das escolas brasileiras.
O evento presencial ocorre no auditório da sede do jornal, com transmissão ao vivo pelas redes do Correio. Esta é a primeira rodada de entrevistas com os candidatos ao Palácio do Planalto. A sabatina com os presidenciáveis deste ano tem o apoio da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), da Federação Nacional de Auditores Fiscais Tributário (Fenat), da Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite) e da Unafisco Nacional.

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